Casimiro de Abreu, Rio das Ostras e Cabo Frio: Peças roubadas de carros que iam para depósito eram usadas em viaturas policiais

Operação Top UP, realizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro cumpriu mandados de prisão em Cabo Frio, Rio das Ostras e Casimiro de Abreu em um depósito de veículos

Peças roubadas de carros que iam para o depósito municipal de Casimiro de Abreu, no interior do Rio, eram usadas em viaturas das polícias Militar e Civil, segundo o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ).

A informação foi passada pelo promotor de Justiça Marcelo Arsênio  nesta quinta-feira (11) sobre a Operação Top Up.

Durante as investigações, a Justiça autorizou escutas telefônicas. Elas mostram como acontecia essa liberação de veículos e o pedido para troca de peças.

Uma das gravações mostra um policial militar e o gerente do depósito conversando. O militar pede a liberação de um carro apreendido.

“Cara, vou te pedir um favor. Tem como liberar um Siena preto?”, diz o policial na gravação. “Tem, tem (…) Já vou ligar para o Alex lá e peço pra recolher as guias e deixar na companhia aí”, respondeu o gerente.

Outra gravação tem a participação do policial civil Celso Alves, que segundo as investigações do MPRJ, era o responsável pelo esquema de troca das peças de carros apreendidos para outros veículos, inclusive viaturas.

Na gravação, o policial civil pede para um funcionário do depósito liberar uma peça para ser colocada numa viatura da Civil que seria usada em uma operação pouco depois.

“Uma bateria para o Megani aqui, tem aí?”, disse um homem identificado como Leandro. “Rapaz, aqui eu não tenho esses carros meus vem tudo sem bateria, mas posso ir lá no pátio tentar arrumar pra você”, responde o policial civil. “Então vai lá no pátio então. Tem que ser rápido porque eu tenho uma operação para fazer agora quatro e meia”, disse Leandro.

“Ele [o policial civil Celso Alves] liberava peças de veículos apreendidos na delegacia pra que fossem cedidas para o Washington [dono do depósito], de interesse pessoal dele, e da mesma forma, peças eram liberadas de veículos apreendidos para de alguma forma equipar viaturas da Polícia Militar e da Polícia Civil”, disse o promotor.

 

Operação Top Up
Treze pessoas, incluindo policiais militares e um civil, foram presas na manhã desta quinta-feira acusados de participar de um esquema de cobrança de propina para a liberação de carros do depósito municipal de Casimiro de Abreu.

As prisões aconteceram em Casimiro de Abreu, Rio das Ostras e Cabo Frio. A ação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPRJ e Polícia Civil, com o apoio da Polícia Militar.

O chefe da 3ª Companhia do 32º Batalhão de Polícia Militar de Rio das Ostras é apontado pelo MPRJ como líder do esquema.

Ele foi preso na própria companhia, às margens da BR-101. Segundo o MPRJ, ele recebia e negociava o valor das propinas.

O atual comandante do batalhão, tenente-coronel André Henriques, disse que não teve acesso ao teor da denúncia, mas que a corregedoria do órgão já estava atenta a esses policiais.

O ex-secretário de Segurança Pública de Rio das Ostras, tenente-coronel da PM Carlos Eduardo, é alvo de mandado de busca e apreensão e de prisão. Ele não foi encontrado, mas os policiais apreenderam R$ 120 mil em dinheiro e R$ 240 mil em cheques.

“Flagramos escutas telefônicas do então secretário solicitando a liberação de alguns veículos e fazendo retaliações diante de alguns pedidos que não tinham sido atendidos”, revelou o promotor Marcelo Arsênio.

A Prefeitura de Casimiro de Abreu disse que não conhece o esquema e que aguarda uma apuração rigorosa do caso.

A Prefeitura de Rio das Ostras afirmou que não tem como responder porque o esquema aconteceu na gestão passada, mas que não compactua com nenhum ato ilícito e vai colaborar com as investigações.

A Polícia Militar informou em nota que a Coordenadoria de Inteligência da PM e corregedoria da corporação tiveram participação decisiva como integrantes da força-tarefa que desencadeou a Operação Top Up.

“O apoio da área correicional, tanto no período da investigação como na execução da operação, demonstra que o comando da corporação não só repudia como combate com todo o rigor qualquer desvio de conduta de policiais militares. Além de acompanhar o processo na Justiça comum após a denúncia do Ministério Público contra os acusados, a corregedoria da PM instaurou inquérito policial militar para apurar a participação dos membros da corporação na organização criminosa”, diz a nota.

Segundo o MPRJ, os envolvidos no esquema definiam quais veículos deveriam ser levados para o depósito e quais seriam liberados com o pagamento da propina.

“Na medida em que chegavam as indicações os veículos eram liberados”, afirmou Marcelo.

O dono da empresa responsável pelo depósito municipal, Washington de Oliveira Magalhães, foi preso por suspeita de corrupção passiva. Ao repórter da Inter TV, o proprietário afirmou que não entende o motivo da prisão dele.

O policial civil Celso Alves foi preso na Ogiva, em Cabo Frio. No momento da prisão, o policial não quis falar com a equipe da Inter TV.

Um homem apontado como fornecedor de armas para os integrantes da organização criminosa foi preso em flagrante com diversas armas sem registros.

Materiais serão analisados
A polícia apreendeu um notebook no carro do dono da empresa responsável pelo depósito e também cumpre mandado de busca e apreensão no depósito municipal de Casimiro de Abreu.

O equipamento eletrônico e todos os documentos que já foram apreendidos na operação serão analisados e poderão dar início a uma nova fase da Operação Top Up, caso contenham mais provas da organização criminosa, segundo informações do promotor Marcelo Arsênio.

Ministério Público também apreendeu armas que estavam sem registro na manhã desta quinta-feira (11) durante operação em Rio das Ostras, no RJ — Foto: Divulgação/Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro

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