Ampla é responsabilizada pela morte de quatro pessoas eletrocutadas em São Gonçalo

O presidente da Ampla, o diretor de operações e o responsável técnico pela região também serão responsabilizados.

Por Redação JS em 30/03/2016 17h38

A concessionária de distribuição de eletricidade Ampla, que atua no Rio de Janeiro, será indiciada pela morte de quatro pessoas e mais uma tentativa de homicídio. As vítimas, todas de uma mesma família, foram eletrocutadas depois da queda de um cabo de média tensão sobre um carro, em São Gonçalo, no dia 3 de janeiro. O presidente da Ampla, o diretor de operações e o responsável técnico pela região também serão responsabilizados. A empresa alega não ser responsável pelas mortes.


— A Ampla assumiu o risco de matar essas pessoas quando programou de forma indevida os equipamentos para religar a rede automaticamente, quando na verdade ela deveria ficar desligada até que uma equipe da empresa fosse ao local verificar o que aconteceu. Com isso, o cabo ficou energizado provocando a morte de pessoas que foram chegando depois da queda do cabo, inclusive. Até os bombeiros chegaram e não puderam fazer prontamente o socorro porque o cabo estava ligado e a equipe da Ampla demorou muito a chegar — afirma a delegada titular da 73ªDP, Carla Tavares.


De acordo com a investigação, a estratégia da empresa de programar os equipamentos para religar o fornecimento automaticamente pode ser uma forma de maquiar os resultados de desempenho para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Desta forma, os índices de queda de luz e tempo sem abastecimento seriam reduzidos.


— Na investigação também vimos que eles trocaram o poste mas não renovaram os cabos, que se romperam por fadiga do material. Foi uma falha na manutenção que foi detectada e também a falha no planejamento e programação dos equipamentos de proteção — explicou o Pablo Souza, perito criminal.


O também perito Leandro Terra disse que os religadores automáticos da rede, que deveriam atuar somente em casos de pequenos curtos como o impacto de galhos, ficaram trabalhando indefinidamente, mantendo a linha energizada.


— A empresa não tinha a intenção, mas provocou a morte de quatro pessoas por abrir mão da devida proteção da rede. Agora aguardamos o responsável técnico da empresa, o diretor técnico e o presidente para prestar esclarecimentos e para o indiciamento — finalizou Carla.

A Ampla garante que não teve culpa no acidente e diz que a perícia não levou em consideração uma explosão que aconteceu nas proximidades e que provocou um curto-circuito.


Caso se repete na Região dos Lagos


Na Região dos Lagos, aconteceu um caso semelhante, quando uma jovem de 18 anos foi eletrocutada e morreu em Praia Seca, distrito de Araruama. Gabriela Machado estava acompanhada de seu amigo Gabriel de Almeida Alves que teve parte de seu corpo queimado e ficou 43 dias internado. Seus advogados cuidam o caso.





Fonte: Extra

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