Barriga Negativa: dieta adequada é essencial para combater o acúmulo de gordura abdominal

Evitar os vilões que causam a temida barriguinha, apostar nos alimentos funcionais e fugir do sedentarismo são medidas essenciais para a boa forma e a saúde

Por Redação JS em 23/08/2016 10h43
Quando se trata de mudar algo no corpo é quase unanimidade: ter o abdômen definido ou uma barriga lisinha é um dos maiores desejos de boa parte da população. Exibir uma bela silhueta e eliminar a temida gordura localizada é um anseio cada vez mais presente, especialmente entre as brasileiras. Não é à toa que a lipoaspiração e a plástica no abdômen lideram a lista de cirurgias plásticas mais realizadas no país. O mais contraditório é que se por um lado a preocupação com a boa forma é crescente, por outro 52,5% dos brasileiros estão acima do peso de acordo com dados do Ministério da Saúde. Essa preocupação vai muito além da estética: o acúmulo de gordura nessa região do corpo é também um fator de risco para o surgimento de diversas doenças. Normalmente fruto da má alimentação e sedentarismo, mudar hábitos, reduzi-la e combate-la é extremamente benéfico não somente à boa forma, mas principalmente à saúde.

Questão de saúde

O corpo humano possui dois tipos de gordura abdominal: a visceral e a subcutânea. Ambas são significativamente nocivas à saúde, porém, o primeiro tipo é o mais preocupante. Apesar de desempenhar uma função protetora aos órgãos, quando o nível do tecido adiposo visceral está acima do normal, o risco do desenvolvimento de doenças aumenta consideravelmente: hipertensão, aumento de triglicerídeos e colesterol, resistência à insulina e alterações metabólicas como a diabetes estão relacionadas ao excesso desse tecido. Além disso, aumenta-se o risco doenças cardiovasculares. Já a gordura subcutânea, embora menos nociva, também tem seus efeitos adversos: localizada abaixo da pele, é mais visível e mais difícil de ser eliminada. Facilmente palpável, é responsável pela celulite e pelos temidos “pneuzinhos”.

Como identificar

A gordura visceral, embora também presente em mulheres, é mais comuns em homens. Responsável pelo aspecto “barriga de cerveja”, caracteriza um abdômen distendido e rígido, mesmo em indivíduos que não costumam beber. Pessoas com maior acúmulo desse tipo de gordura possuem a silhueta no formato de maçã, com maior concentração de tecido em volta do abdômen. Já a gordura subcutânea possui aparência flácida e mais aparente. Por uma questão hormonal, acomete mais as mulheres, se concentrando em regiões como culote, coxas, pernas e quadril. Neste caso, as células adiposas se multiplicam com mais facilidade e deixam a silhueta com aspecto de pera.

Distinguir a proporção de ambas requer exames laboratoriais, porém, de acordo com a nutricionista Sinara Menezes da Nature Center, uma medida simples pode ajudar a identificar quando este acúmulo representa um risco à saúde: “Com uma fita métrica, pode-se medir a circunferência da cintura na região próxima ao umbigo. Se essa medida ultrapassar 102cm para homens e 88cm para mulheres é hora de ligar o sinal de alerta para o sobrepeso.”

Reflexo dos hábitos alimentares

Em ambos os casos, o excesso de gordura na região abdominal é proveniente, sobretudo, de maus hábitos alimentares. O ritmo de vida moderno e o alto consumo de produtos industrializados colabora para que o problema se agrave: a falta de equilíbrio na dieta e o sedentarismo são fatores cruciais para o aumento de peso. De acordo com Sinara, o principal problema por trás desse mal é que as pessoas consomem cada vez menos alimentos naturais e, devido a praticidade dos industrializados, acabam ingerindo quantidades enormes de sódio, conservantes, açúcares e outros inimigos da saúde. Para a nutricionista, os primeiro passo para diminuir a circunferência abdominal e dar adeus às gordurinhas é reduzir a ingestão calórica evitando os chamados “vilões da dieta”

Os vilões da boa forma

Carboidratos refinados: alimentos à base de farinha branca possuem alto índice glicêmico, ou seja, causam picos de glicose no organismo. Como o organismo não consegue aproveitar toda essa glicose em forma de energia, acaba estocando o excesso em forma de gordura. Alimentos como a batata inglesa, o arroz, massas e pães brancos propiciam o ganho de peso por serem carboidratos simples, rapidamente absorvidos pelo organismo;

Doces: além de ser um carboidrato simples de altíssimo índice glicêmico, a sacarose estimula a liberação de neurotransmissores atuantes no centro de recompensa do cérebro, responsáveis pela sensação de bem estar ao degustar uma guloseima. Justamente por isso, quando estamos deprimidos, o organismo tende a “pedir” por alimentos açucarados. O problema é que esse círculo vicioso pode levar ao excesso de consumo e desestruturar a flora intestinal, causando distensão abdominal. É importante lembrar que a glicose excedente será armazenada como gordura no organismo;

Refrigerantes e bebidas alcoólicas: Bebidas gasosas como refrigerantes, além de possuírem alta concentração de açúcar, causam a dilatação do volume abdominal. Já o álcool, além de irritar a mucosa estomacal causando inchaço, é rico em calorias (7 cal/grama) e aumenta liberação do cortisol – hormônio relacionado ao acúmulo de gorduras.

Laticínios e outros alergênicos: pessoas que sofrem de intolerância à lactose podem sofrer de distensão abdominal, inchaço e flatulências devido ao consumo de derivados do leite. Da mesma forma, celíacos podem ter dificuldade de perder peso por consumirem alimentos com glúten.

Produtos industrializados: de acordo com a nutricionista, alimentos industrializados são um dos maiores vilões pois podem conter muitos açúcares, sódio (que própria o inchaço), gorduras maléficas e outros elementos químicos que colocam a saúde em risco. Além disso, normalmente são enriquecidos com realçadores de sabor que estimulam o consumo além da conta;

A nutricionista complementa que alimentos que aumentam a produção de gases como repolho, couve flor e o feijão podem aumentar o volume abdominal, porém, não devem ser eliminados da dieta devido seu alto valor nutricional. Para evitar esse incômodo, o ideal é moderar seu consumo e realizar o preparo adequado – “No caso do feijão, deve-se deixar os grãos de molho por pelo menos 12 horas em água fria ou por 10 a 15 minutos em água quente para neutralizar as enzimas que causariam a fermentação no intestino.”

Os aliados do abdômen chapado

Fibras: Hortaliças, legumes, frutas e cereais integrais são ricos em fibras. As cascas, folhas e talos e grãos presentes nesses alimentos possuem uma estrutura complexa que exige mais trabalho do sistema digestivo para quebrar o alimento. Por retardarem o esvaziamento gástrico, prolongam a sensação de saciedade e auxiliam no controle do apetite.

Carboidratos complexos: de baixo índice glicêmico, esses alimentos liberam glicose de forma mais moderada, prolongando a oferta de energia e evitando a fome abrupta. Alimentos como a batata doce, a aveia, o arroz integral e o feijão nutrem o corpo e saciam por mais tempo.

Alimentos funcionais: Alguns alimentos merecem destaque especial pois além de nutritivos, oferecem benefícios à saúde. Para quem deseja potencializar a perda de gordura e manter a dieta sob controle, alimentos como a linhaça dourada, a chia e goji berry possuem propriedades que, além e auxiliarem no controle do apetite, aceleram o metabolismo favorecendo a lipólise (queima de gordura). Neste mesmo âmbito encontra-se o famoso Chá Verde, conhecido por suas propriedades antioxidantes e termogênicas. O uso de farinhas funcionais enriquecidas com esses alimentos torna a inclusão desses alimentos na dieta ainda mais prática.

Água: Sim, este item é fundamental para a boa forma! Além de ser essencial para manter as funções básicas do organismo, quando se aumenta o consumo de fibras é primordial hidratar-se bem para que elas não provoquem o efeito contrário do desejado, causando inchaço abdominal. A água possui efeito desintoxicante no organismo, auxiliando a eliminar as impurezas acumuladas que causam diversos efeitos maléficos ao corpo, dentre eles, a constipação. O ideal é que se consuma pelo menos 2 litros de água diariamente.

De acordo com Sinara, o mais importante para quem deseja reduzir a gordura abdominal é ter em mente que o corpo não emagrece exclusivamente em uma região – salvo os procedimentos cirúrgicos, nenhuma medida é capaz de reduzir a gordura localizada de forma significativa. Portanto “Seguir uma dieta hipocalórica, reduzindo a ingestão de calorias vai culminar num emagrecimento em todo o corpo, inclusive no abdômen.” Para a profissional da Nature Center, por não ser apenas uma questão estética, o desejo de reduzir a barriguinha deve ser uma decisão apoiada por outras mudanças a longo prazo que trarão muitos benefícios ao indivíduo.

Mudança de hábitos

O emagrecimento ocorre de forma sistêmica, basicamente quando consumimos menos calóricas do que gastamos diariamente. Porém, de acordo com a nutricionista, as calorias não devem ser o único ponto observado na alimentação “Emagrecer de forma saudável e definitiva envolve uma mudança de hábitos que inclui reeducação alimentar e um novo estilo de vida.” Ou seja, seguir dietas radicais não dão resultando efetivo, o ideal é investir em refeições balanceadas, regulares e ricas em alimentos naturais “Seguir uma alimentação de qualidade, além de manter o corpo nutrido, beneficia o controle do apetite – que é tão importante numa dieta de emagrecimento. Justamente por isso, comer a cada 3 horas é fundamental, para que o indivíduo não sinta fome repentina e acabe exagerando no prato”.

Fuja do sedentarismo

Outro ponto indispensável para conquistar o abdômen sequinho é investir na atividade física. Ainda que a alimentação seja um ponto chave, os exercícios podem acelerar a perda de gordura e aumentar o tônus muscular, dando uma aparência mais bonita à região. Além disso, sair do sedentarismo é essencial para reduzir o risco de doenças e fortalecer o organismo. Contudo, engana-se quem imagina que o ideal seja fazer longas séries de abdominal – ainda que exercícios musculares desse tipo sejam importantes para fortalecer os tecidos, os exercícios aeróbicos são os mais potentes para queima de gordura, além de fortalecerem o aparelho cardiovascular. Porém é importante lembrar: tanto para mudanças na dieta quanto para a realização de atividades físicas, busque sempre auxílio de um profissional de saúde.

Colunistas

Suely Pedrosa - Social Tudo sobre a Região dos Lagos
Ricardo Sanchez - Esportes O espírito da 10 de Zico
Ademilton Ferreira - Política Os bastidores da política
Vilma Matos - Editorial Famílias destruídas