Câmara de Arraial realiza quatro reuniões setorizadas para debater cobrança de bilhete único

"Agora é fazer um relatório geral de tudo que escutamos e mandar para o prefeito. Ele vai analisar e de acordo com a vontade dos barqueiros", presidente da Câmara, Ayron Freixo

Por em 06/11/2017 18h03
A Câmara Municipal de Arraial do Cabo realizou na semana passada, três dias de intensos debates sobre a cobrança do bilhete único para passeios de barco. As reuniões para tratar do assunto foram divindades em quatro partes, os legisladores escutaram as diferenças associações e órgãos responsáveis, a fim de gerar relatórios conclusivos, que serão encaminhados para o prefeito Renatinho Vianna. De acordo com o presidente da Câmara, Ayron Freixo, as reuniões setorizadas foram solicitadas pelo executivo por meio de um oficio.

- Nós acatamos o pedido do prefeito, que buscou, pela primeira vez, colocar o assunto em pauta do jeito certo: ouvindo. É a primeira vez que estamos fazendo o caminho correto e escutando todos os que se relacionam com o tema. Isso foi falado pelos próprios barqueiros e associações nas nossas reuniões -, afirmou.

O objetivo dos encontros era fazer um apanhado das opiniões a cerca da cobrança do bilhete único. Os vereadores Ayron Freixo, Sppencer Cardoso, Thiago Félix, Alexandre Barreto, Arizinho Vianna e Cleyton Barreto, fomentaram o debate e anotaram os anseios de cada trabalhador que passou pela Câmara. No total foram quatro reuniões que geraram quatro atas com as principais sugestões e que, ao final, foram assinadas pelos participantes. Segundo a procuradora da Câmara, Karoline Brasil, um relatório geral será montado a partir das atas escritas.

- Agora é fazer um relatório geral de tudo que escutamos e mandar para o prefeito. Ele vai analisar e de acordo com a vontade dos barqueiros, montar um Projeto de Lei para que venha para esta Casa e seja votado -, explicou.

 

Primeira Reunião reuniu membros da ATUNARC

A primeira oitiva (audiência) aconteceu na noite de segunda (30) com os membros na Associação de Turismo Náutico de Arraial do Cabo (APETUNARC), cujos membros saem com suas embarcações do terceiro píer do cais. Em principio, a associação acredita que o bilhete único é uma forma de ordenar o passeio e coibir a forte abordagem que existe hoje nas ruas do município. O grupo se mostrou favorável ao bilhete único e levantou algumas sugestões em relação ao valor cobrado. O grupo acredita que, além da organização, o turismo será mais qualificado e sairá mais satisfeito da cidade.

Segunda oitiva reuniu Associação de Barqueiros tradicionais da Beira da Praia para discutir bilhete único

A segunda oitiva para discutir a cobrança do bilhete único aconteceu na noite de terça-feira (31) com a Associação de Barqueiros Tradicionais da Beira da Praia dos Anjos (ABTPAC). Os membros da associação lotaram o plenário e levaram até os legisladores suas opiniões e anseios relacionados ao assunto abordado. Fizeram o uso da palavra o advogado e sócio da ABTPAC, Pedro Pinto; um dos representantes, Angelo de Macedo Alves, conhecido como Shogun, e outros marinheiros e donos de embarcação, que trabalham na beira da praia. Os vereadores presentes esporam o assunto e pediu para que eles falassem a cerca do bilhete único. Entre todas as falas, um consenso: A não aprovação da bilheteria única, mas a vontade que haja um valor único para passeios.

De acordo com a associação, a bilheteria única traria uma empresa terceirizada, que levaria parte do valor total e assumiria o lugar dos atravessadores. A proposta é que o valor único seja cobrado pela própria associação, por meio de uma tenda ou um quiosque localizado nas proximidades da praia.

- Não é correto tratar as embarcações da ABTPAC, com capacidade de 24 passageiros com as mesmas medidas que serão utilizadas com os barcos do terceiro píer, que são enormes e bem estruturados. Não queremos perder, somos humildes. Se for para cobrar um preço só, que essa cobrança seja feita por nós -, declarou Shogun.

Na ocasião, os barqueiros parabenizaram a atitude dos legisladores e do executivo em fazer uma audiência para escutar a opinião de todos os setores envolvidos.

 

Terceira oitiva reuniu órgãos federais, estaduais e municipais para debater cobrança de bilhete único

Na última quarta-feira (01), o plenário da Câmara ficou movimentado com representantes de órgãos federais, estaduais e municipais, que conversaram, junto com vereadores, sobre a cobrança do bilhete único. Estiveram presentes: Fundação Instituto de Pesca de Arraial do Cabo (FIPAC); Associação da Reserva Extrativista de Arraial do Cabo (AREMAC); Instituto Estadual do meio Ambiente (INEA); Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); Conselho da Pesca e Colônia de Pescadores. Todos eles se posicionaram a favor da bilheteria única, mas fizeram algumas ressalvas. A representante do ICMBio, Viviana, comentou sobre o número de licenças, segundo ela, são 194 ara turismo náutico e mergulho e 50 para barco táxi.

- Nós somos totalmente favoráveis, acreditamos que essa abordagem na rua é muito desagradável para o turista. Acreditamos ainda que o bilhete único vai dar um maior controle da quantidade de turistas que passam por aqui, além de nos permitir saber quais barcos estão realmente estão trabalhando. Não vemos com bons olhos aqueles que trabalham dois ou três meses, não tem uma responsabilidade grande e acabam tirando a vaga daqueles que querem ter um compromisso maior e anual -, argumentou e disse que o município deve agir em conjunto com o ICMBio.

A oitiva foi rápida e teve o consenso geral de todas as instituições.

 

Quarta oitiva reuniu membros da Associação de Pescadores e turismo Náutico de Arraial do Cabo (APTUNAC)

A quarta e última reunião contou com a presença dos barqueiros do segundo píer, que fazem parte da Associação de Pescadores e Turismo Náutico de Arraial do Cabo. Segundo os membros, eles foram escutar e debater sobre o tema, mas não apresentaram uma opinião formada acerca do assunto. Porém, alguns barqueiros falaram na tribuna e se posicionaram contra a bilheteria única, justificando que a ação pode prejudicar nas vendas e na tradição do local, que há anos, faz venda direta pelas calçadas da Praia Dos Anjos. O presidente da Associação Antunes, afirmou que os atravessadores já não estão tendo vinculo com os donos de embarcações e, por isso, está prejudicando o trabalho dos donos, bem como na lucratividade. O presidente mostrou-se favorável ao preço diferenciado, mas afirmou ainda não haver um posicionamento concreto do setor.

Outros membros da associação se manifestaram afirmando que o bilhete único não é a solução para o problema, que segundo eles, é a falta de profissionalismo. Levantaram ainda a possibilidade de um valor mínimo para a cobrança.

 

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