Chefe da Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso entrega cargo

Ele admitiu que a demissão de Beltrame foi decisiva para sua resolução de deixar o cargo.

Por Extra em 12/10/2016 09h53

Um dia após o Governo do Rio ter confirmado a saída de José Mariano Beltrame da Secretaria de Segurança Pública, o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, anunciou na manhã desta quarta-feira que irá entregar o cargo. Em entrevista , Veloso afirmou que já vinha pedindo para deixar o posto desde o ano passado e fez duras críticas à escassez de recursos.


“Quanto menos recursos a polícia tiver, menor será sua capacidade de atuação. Hoje, a dificuldade é grande. O trabalho da Polícia Civil é um trabalho velado. Quando a Polícia Civil não tem recursos, isso impacta na atividade de toda a Segurança Pública”, afirmou.


Em outro trecho da entrevista, Veloso foi mais incisivo nas críticas à falta de investimentos.


"A polícia não está conseguindo investigar o que precisa ser investigado. Nosso trabalho foi reduzido. Com exceção da Divisão de Homicídios, para a qual conseguimos manter os recursos, as outras unidades da instituição trabalham de forma precária", afirmou.


Veloso comentou também que a corporação ainda sofre com contingenciamento de combustível.


“Não contingenciamos viaturas utilizadas para perícia, viaturas da Divisão de Homicídios e viaturas que transportam presos. No mais, todas estão contingenciadas, ou seja, não têm consumo livre de combustível. Enquanto não decidirmos investir de fato em investigação, vamos perseguir a utopia de achar que colocar policial na rua resolve o problema”, disse.


O chefe da Polícia Civil pretende entregar sua carta de demissão até sexta-feira — último dia de Beltrame na cadeira de secretário. Fernando Veloso foi convidado por Beltrame para ocupar a chefia da Polícia Civil, ainda na gestão de Sérgio Cabral, após a saída de Marta Rocha, em janeiro de 2014.


Durante a entrevista, Veloso agradeceu aos policiais e delegados pelo trabalho realizado durante sua gestão, “a despeito da escassez de recursos ou das dificuldades das missões confiadas”. Ele admitiu que a demissão de Beltrame foi decisiva para sua resolução de deixar o cargo.


“Eu havia me comprometido com o governador (licenciado, Luiz Fernando) Pezão a ficar até a Olimpíada. Se o secretário (Beltrame) ficasse até o final do ano, eu permaneceria. Mas honrei meu compromisso. A missão está cumprida. A gestão da Polícia Civil é muito complexa. Exige muita entrega, abdicação, empenho. Isso deve ser feito por determinado período, não pode se alongar tanto”, disse.

Ainda não há definição sobre o substituto de Fernando Veloso, que agora pretende se dedicar à família.


"A gestão da Polícia Civil é muito complexa. Muitas vezes, 24 horas não são o suficiente. É uma função que deve ser exercida durante um determinado período de tempo e depois precisa ser entregue a outra pessoa. Agora vou me dedicar mais a minha família".

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