Com salário atrasado, PMs reformados pedem para almoçar no batalhão da Ilha

Governo estadual e Rioprevidência têm até esta quarta-feira para pagar cerca de 137 mil aposentados e pensionistas

Por Redação JS* em 20/04/2016 09h00

Na frente de um quadro com a inscrição ‘galeria dos heróis’, sete policiais militares aposentados posaram para uma foto, na segunda-feira. No entanto, não se tratava de uma homenagem. Aqueles que serviram por anos à corporação seguravam pratos vazios. Não tinham o que comer em casa e por isso pediram para almoçar no batalhão.


“Ainda estou sem o meu pagamento de março. Tenho quatro filhos para sustentar e estou vivendo de doações de cestas básicas de familiares”, disse o subtenente Jorge Lourival, de 53 anos.


Ao todo, o grupo tinha 12 policiais militares e pediu para se alimentar no refeitório do Batalhão de Polícia Militar da Ilha do Governador. Todos são moradores do bairro e alegaram falta de dinheiro para alimentação. 


Um representante da Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) acompanhou o pedido dos policiais. “Fomos retratar a situação deles. O governo está atrasando salários e o resultado é esse. Agentes que serviram durante anos sem ter o que comer”, afirmou Vinícius George, assessor da comissão. 


Os policiais fazem parte do grupo de servidores do estado que está com os salários mais atrasados. O governo planejava pagá-los somente em maio, mas a esperança de que o dinheiro caia nas contas antes surgiu com uma liminar da Justiça expedida no último dia 18. O governo e o Rioprevidência têm até essa quarta-feira, dia 20, para pagar cerca de 137 mil aposentados e pensionistas. A sentença prevê o arresto de quantia de R$ 1,07 bilhão nas contas bancárias dos réus (leia: o Estado vai recorrer, na página 15).


“Estou esperando o dinheiro cair. O comandante do batalhão (Odair Santo Blanco) nos deixou almoçar, mas não permitiu que duas esposas de dois colegas fizessem o mesmo. O rancho é só para militares”, contou Lourival. 


Enquanto se alimentavam, um dos policiais chorava. A situação foi filmada pelos agentes e, o vídeo, postado nas redes sociais.


“Chorou pois enquanto comia sabia que sua família passava fome. É esse o tratamento que temos após anos de serviço”, disse Jorge Lourival. A PM não se posicionou sobre o ocorrido.


"Filho não tem o que comer"


Um policial aparece chorando em filmagem que circulou nesta terça-feira na internet. No vídeo, a pessoa que filma narra a situação. “Hoje ele está almoçando mas o filho não tem o que comer. É isso que nós temos que mostrar. O governador nos deixou nessa situação”. O companheiro seca as lágrimas, enquanto confirma com a cabeça. A filmagem causou indignação. Comandantes de outros batalhões afirmaram que autorizaram os reformados a se alimentarem nas unidades.






*Matéria O Dia.

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