Conselho Regional de Medicina denuncia ao MP problemas na saúde pública de Cabo Frio

Em fiscalizações, Conselho constata sucateamento dos hospitais e déficit de recursos humanos. Secretário de Saúde reconhece que situação é crítica

Por Redação JS em 29/03/2016 16h01

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) apura a situação crítica da saúde pública em Cabo Frio e levará o caso ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Após fiscalizações no Hospital Municipal da Mulher, no Hospital Central de Emergência (HCE) e no Hospital São José Operário (HSJO), ocorridas em fevereiro, a entidade constatou o déficit de recursos humanos, vínculos empregatícios precários, a ausência de equipamentos e materiais, problemas estruturais, erros na identificação de pacientes e a dificuldade na transferência de doentes.


"É preocupante porque, além das fiscalizações, temos recebido denúncias de condições de trabalho inadequadas e de sucateamento das unidades. Tudo isso, é claro, afeta o atendimento à população. A situação piorou ainda mais depois que uma das UPAs no município foi desativada", explica o vice-presidente do Cremerj, Nelson Nahon.


Devido aos problemas na saúde pública da cidade, o Conselho pediu esclarecimentos ao secretário municipal de Cabo Frio, Carlos Ernesto dos Santos Dornellas, que esteve na sede do Cremerj, na última quinta-feira (17). Na ocasião, ele justificou que, em razão do atraso de repasses por parte do governo do estado, a prefeitura não tem conseguido custear as despesas de uma das UPAS da cidade, a do Parque Burle, e ela teve de ser fechada. Com a medida, o HCE foi reaberto para absorver os pacientes e o Hospital São José Operário auxilia em algumas situações. O atendimento pediátrico está sendo realizado no Hospital da Criança.


O coordenador da Comissão de Fiscalização do Cremerj, Gil Simões, questionou a falta de recursos humanos. Segundo o secretário, o município vem tendo dificuldades de contratar por conta da precariedade dos vínculos empregatícios e dos baixos salários. Além disso, o problema se agravou desde o final do ano, quando os pagamentos começaram a atrasar e apresentar erros.


Sobre o Hospital da Mulher, o secretário admitiu o sucateamento da unidade e a restrição no atendimento. Ele ainda explicou que, devido a problemas financeiros, a unidade teve que cortar alguns programas importantes. Em relação à situação da atenção primária em Cabo Frio, de acordo com Carlos Ernesto Dornellas, atualmente, estão em atividade 17 unidades para saúde da família com equipe completa. O funcionamento, no entanto, não acontece todos os dias e não há previsão para que os atendimentos sejam normalizados.


"Decidimos levar a denúncia ao Ministério Público para reforçar a urgência em encontrar uma solução para este caso. Os gestores precisam resolver essa situação. Esses hospitais recebem pacientes não só de Cabo Frio, mas de cidades vizinhas. Sem contar que a Região dos Lagos costuma ficar lotada em período de férias escolares e feriados. É fundamental que as unidades tenham estrutura para atendimentos de emergência", destaca Gil Simões.


Nesta quarta-feira (30) os representantes da Cremerj darão uma entrevista exclusiva para a Rádio Litoral FM e Portal JS.

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