Doações caem no Hemolagos após suspeita de venda de sangue

Doações sofreram baixas após denúncia em hospital de Cabo Frio. Hemocentro convoca os doadores cadastrados para ajudar.

Por G1.com em 25/08/2016 10h50

O Hemolagos, único hemocentro da Região dos Lagos do Rio, voltou a receber doadores nesta quarta-feira (24) após uma baixa nas doações causada por uma denúncia do Ministério Público de que funcionários de um hospital de Cabo Frio estariam cobrando pelas bolsas de sangue. A unidade convocou os doadores cadastrados para ajudar, já que apenas uma doação havia sido feita durante toda a semana.


"A doação caiu muito. Foi pra um doador na segunda e um doador na terça. Nós então nos mobilizamos e telefonamos. Nós temos o cadastro de dez mil doadores. Ligamos para doadores, botamos da rede social. produzimos uma nota oficial e hoje estamos aí já com três doações", explicou o diretor da unidade, Marcelo Paiva.


O diretor que chegou a prestar depoimento sobre o caso da venda, explicou o processo de doação de sangue. Segundo ele, 80% do estoque da unidade é para atender hospitais públicos e 20% para as unidades particulares. Ele explicou que cada bolsa custa R$ 330 mas que em nenhum momento o paciente tem que pagar pelo sangue.


"80% do nosso movimento é do SUS. Quando tem um paciente que é de um convênio e a clínica nos solicita o sangue, nós entregamos esse sangue para a bolsa já pronto para ser transfundido e a clínica vai receber pelo custo da produção dessa bolsa do convênio. E nós temos com a clínica uma contratualização que quando ela receber esse custo do convênio ela nos repassa. Clínicas que adotam um procedimento de cobrar do paciente vão explicar porque fazem isso", explicou.


Na última sexta-feira (19), dois funcionários do hospital Clinerp foram encaminhados para a 126ª DP para prestarem depoimento, por suspeita de cobrarem pelo sangue, o que seria ilegal. Eles foram liberados em seguida. 


A Polícia Civil investiga o caso e o Ministério Público abriu um inquérito para apurar se o houve crime pela venda de sangue ou se o valor cobrado foi referente a serviços transfusionais, para cobrir despesas com materiais hospitalares e medicamentos, o que é permitido nas unidades de saúde.


Repercussão
A repercussão do caso na internet foi um dos motivos para diminuir a doação de sangue no Hemolagos. Internautas mostraram indignação em redes sociais e portais de notícias. No portal do G1 muitos comentários foram de pessoas indignadas com a suposta atitude dos profissionais de saúde da clínica.


Na página do RJ InterTV nas redes sociais foram mais de 30 mensagens sobre esse caso. O diretor do Hemolagos se posicionou.

"A gente desde sempre sabe que existe comércio de sangue no Brasil. Então o mais importante é que não se deixe sequer aberta qualquer bracha para que o paciente ou o familiar imagine que possa ter havido comércio. O doador é absolutamente imprescindível para nós e o respeito a ele é total e absoluto", finalizou o diretor.


A 126ª DP, que investiga o caso, informou nesta quarta que um inquérito policial foi instaurado para apurar a denúncia de comercialização de bolsas de sangue


"Parentes de paciente internada no estabelecimento teriam sido cobrados pelo atendimento com a orientação de que seriam posteriormente ressarcidos pelo plano de saúde. Diligências estão em andamento para esclarecer os fatos", informou a delegacia.


Já o Ministério Público informou informou que aguarda o inquérito da Polícia Civil ser concluído para para dar continuidade às investigações. A delegada Juliana Montes disse por sua vez que o MP assumiu o caso, e que se for acionada vai dar andamento nas diligências.

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