Dr. Adriano afirma que vai ter um governo transparente, participativo e que vai combater a corrupção

Médico e vereador, Dr. Adriano Moreno, em entrevista, fala sobre seus planos de governo para a Prefeitura de Cabo Frio

Por Redação JS em 13/09/2016 13h49
Na manhã desta terça-feira, dia 13, entrevistamos pela primeira vez um candidato a Prefeitura de Cabo Frio. O vereador Dr. Adriano Moreno, Rede, falou sobre seus planos de governo. Confira:


JS: Candidato, a primeira pergunta que a gente faz é porque almeja ser prefeito de Cabo Frio?
Adriano: Eu sempre falo para os meus amigos, pra quem quiser ouvir, que eu não tenho o sonho de ser prefeito. O meu sonho sempre foi ser médico, e esse sonho eu realizei com muito sacrifício. Hoje eu tenho uma missão: quebrar o modelo político que se mostrou dono, se mostrou falido para nosso município, nosso Estado também. Essa é a minha missão.

JS: O que tem no seu plano de governo para a Educação do município, que hoje passa por uma situação muito deprimente? Nós não temos hoje Educação em Cabo Frio, está tudo parado, as escolas fechadas, os alunos nas ruas...
Adriano: No nosso plano de governo, nós temos pra Educação, primeiro, restabelecer o diálogo com o funcionário público, principalmente com os professores. Um diálogo que foi perdido nos últimos anos, e, com isso, tentar minimizar ou resolver o problema com relação aos salários atrasados. Nós pensamos muito em reequipar as nossas escolas, e temos como meta um tripé de educação, cultura e esporte, onde as crianças terão aula em tempo integral e lá praticarão esportes, terão acesso à cultura, como música, dança, para que o aluno tenha prazer de estar na sala de aula, e com isso, a gente diminuir a evasão escolar. Essa é a nossa meta e faz parte do nosso plano de governo.

JS: Transporte?
Adriano: Para o transporte nós pensamos muito. Primeiro, criar uma malha de ciclovias, para que o nosso munícipe possa se locomover dentro do nosso município de modo saudável, sem poluir a cidade, e com agilidade, fazendo ciclovias que venham interligar esse município. Eu, como vereador, já havia colocado esse Projeto de Lei, na Câmara Municipal de Cabo Frio, onde a gente ia criar uma ciclovia ligando Cabo Frio à Arraial do Cabo, não só para facilitar a mobilidade, mas também ficar como uma atração turística, para que as pessoas possam ter mais uma forma de lazer, mas a mobilidade faz parte do nosso plano. Nós, em 2013, já havíamos pedido a contratação do Cop da Universidade UFRJ, que é um órgão técnico, para fazer um estudo de mobilidade do município, pois eu acredito que Cabo Frio não suporta mais "achismo", nós temos que ter um governo técnico, com pessoas competentes, pois só assim vamos conseguir sair dessa crise.

JS: Com a crise, várias prefeituras têm sofrido, e a gente nota que os serviços do Estado, do Governo Federal, não conseguem chegar, e a Prefeitura tem que chegar. Hoje não dá mais para que a gente tenha o número de funcionários que a gente têm na Prefeitura de Cabo Frio. Como o senhor faria ao chegar na Prefeitura?
Adriano: O primeiro passo a ser dado nessa prefeitura é enxugar a máquina pública. Nós precisamos muito enxugar essa máquina, não só a nível de funcionários, mas rever todos os contratos com prestador de serviços, com empresas e fornecedores do município, pois a gente acredita que esse seja um grande ralo de escoar os nossos recursos. Nós temos municípios que nunca receberam royalties do petróleo, nem por isso estão passando por um momento tão tenebroso como a nossa cidade. Essa cidade, nos últimos 20 anos, recebeu uma porta de recursos muito grande, e não houve planejamento para que esse recurso fosse aplicado de modo inteligente. Quando eu falo isso, nós não tivemos aqui a aplicação do recurso para geração de emprego, capacitação dos nossos jovens. A prefeitura, nos últimos 20 anos, virou um grande cabide de emprego, a máquina pública ficou encharcada, e agora, com a diminuição do recurso, a gente vê que nem o funcionalismo público tem o seu salário em dia. Cabo Frio já foi a grande locomotiva da Região dos Lagos, posso falar isso com certeza. As pessoas saíam dos outros municípios, até de outros estados para vir trabalhar em Cabo Frio e morar nessa cidade. Hoje as pessoas tem que fazer o fluxo inverso, tem que sair daqui para poder trabalhar em outro lugar, porque aqui nós não temos emprego. As nossas empresas foram embora, e as que queriam chegar não têm nenhum apoio do poder público.

JS: A gente vê que até o cemitério hoje é um grande problema no município. Não têm lugar, as pessoas estão tendo que ser sepultadas em municípios vizinhos. Qual é a saída?
Adriano: Bom, eu, em 2013, como vereador, já havia colocado um projeto, que foi aprovado por unanimidade, da criação de um crematório municipal, pois eu já havia visto esse problema lá na frente. O crematório seria uma solução a curto prazo até que nós pudéssemos criar um outro cemitério, uma área que poderia ser destinada para isso. E eu vou um pouco mais além. Nós temos o distrito de Tamoios, com quase 70 mil habitantes, onde não tem um cemitério. As pessoas em Casimiro de Abreu, Barra de São João, mas não são enterradas na cidade em que elas nasceram, viveram e morreram. Isso é um verdadeiro absurdo. Eu já preocupado com isso, em 2013, já havia colocado o projeto para que nós não estivéssemos passando por esse absurdo que estão passando aqui. Nós temos um cemitério aqui no Jardim Esperança, o Cemitérios dos Eucaliptos, e eu estivesse lá há uns meses atrás para sepultar uma pessoa muito querida, um amigo, médico antigo dessa cidade, e eu tive a tristeza, ao chegar lá, de encontrar os coveiros dizendo que tinha dois meses que não recebiam, que naquele dia só haviam comido arroz com feijão, não tinham uma luva pra poder abrir uma cova. Nós tivemos que comprar luva pra eles. É uma situação deplorável o que a gente está vivendo em Cabo Frio.

JS: A sua vice foi secretária do atual prefeito. O esposo dela, não foi oficializado como líder do governo, mas trabalhou com eles. Como você explica essa ligação, já que você se diz em oposição do atual prefeito?
Adriano: Eu vou começar lá de trás. Primeiro, eu já era filiado ao Partido Progressista, antes do Prefeito Alair Corrêa tomar o partido. Eu me filiei na Rádio Cabo Frio com Paulo Massa, já era filiado ao PP. A minha candidatura veio de modo muito rápido. Alguns amigos médicos me chamaram "Adriano, vamos vir candidato, a gente vai te apoiar..." eu até relutei um pouco no começo, mas vim como candidato pelo Partido Progressista, que, na época, em 2012, o atual prefeito já havia tomado posse do partido e instituído Paulo Massa. Então, a nossa relação partidária não tinha nenhuma relação profissional ou de união, foi mais por um acaso. Desde o meu primeiro dia na Câmara Municipal, eu sempre pontuei pelo bem estar e zelando pelo bem público e pela população. Isso me criou grandes problemas, muitas das vezes, discordando do prefeito e entrando em rota de colisão com ele. Isso está lá na Câmara Municipal pra quem quiser ver. Eu sempre tive como meta priorizar o bem dessa cidade, e entrei em conflito várias vezes. Para vocês terem uma ideia, eu fui o único vereador a votar contra a reeleição do Marcelo Corrêa, que é filho do prefeito. Nós fizemos vários embates, e eu passei a ser uma pessoa não grata no grupo do PP, até que, por opção minha, já muito cansado de ver esses conflitos, de ver que eu não conseguia mudar o modo de eles pensarem, fui para o Partido Rede Sustentabilidade, após uma conversa de várias horas, lá em Brasília,  com a Marina Silva que foi candidata à Presidência da República, ela me mostrou uma esperança ainda na política, pois até isso eu já estava perdendo diante de tanto desmando que eu encontrei desde que entrei na vida pública. Com relação à minha vice, a Cristiane Fernandes esteve a frente de uma Secretaria da Melhor Idade, onde, sem recursos nenhum, ela conseguiu desenvolver 76 atividades. Eu posso falar isso com conhecimento de causas, porque eu, como médico, nunca parei de trabalhar no PAM de Cabo Frio, no Hospital Santa Isabel, Jardim Esperança, mesmo estando vereador. eu sempre friso isso, que eu estou vereador, mas minha profissão é médico. Eu vi, várias vezes, tive que encaminhar pacientes idosos, com problema de coluna, dificuldade de locomoção para reabilitação, e não conseguia vaga, e os pacientes iam para a Secretaria da Melhor Idade, e voltavam muito felizes porque eram bem atendidos, bem cuidados. Então, eu não vejo nada que possa desabonar a minha vice de ela ter participado de um governo ao qual não teve apoio nenhum. E hoje, no nosso plano de governo, vamos criar a Secretaria da Melhor Idade, junto com a Secretaria da Mulher e a Secretaria das Pessoas com Necessidades Especiais. Um núcleo no centro de Cabo Frio, no grande Jardim Esperança e em Tamoios. Eu não vejo nada que desabone a Cristiane Fernandes, uma mulher íntegra, mãe, esposa, uma pessoa que eu estou muito feliz de ter ao meu lado, uma guerreira. Ela participou de um governo que também discordou e foi até exonerada no final, e trabalhou muito bem à frente de uma secretaria. Aqui, em Cabo Frio, as pessoas ainda têm aquela ideia de que fulano pertence ao grupo do ex prefeito. Eu já falei pra quem quiser ouvir, a gente só pertence a Deus. Esse tipo de política mesquinha, que rotula as pessoas não vai fazer parte do meu governo de jeito nenhum, todos vão ter oportunidade. Aqueles que trabalharam, que fizeram um bom serviço, vão continuar trabalhando. Agora, aqueles que tiraram proveito do bem público, em detrimento, prejuízo da população, esses não ter vez no meu governo, e ainda correm o risco de responder um processo. 

JS:  A Saúde de Cabo Frio hoje é zero. Existem vários interesses dentro da Saúde de Cabo Frio. Hoje, nós tivemos três médicos querendo a Prefeitura de Cabo Frio para atuarem como prefeitos. A gente nota também um grupo que está na prefeitura, mas está na saúde particular. Como convergir isso aí e ter um interesse para o povo, uma vez que se tem um interesse particular?
Adriano: Eu costumo sempre separar a coisa pública da particular. Hoje, a nossa Saúde está um verdadeiro caos. Não sabemos nem quantos médicos nós temos na folha, na Secretaria Municipal de Saúde, e eu, como vereador, mandei requerimentos pedindo para saber quantos médicos nós temos na rede municipal de saúde. Não tive nenhuma informação. Os hospitais estão sucateados, os equipamentos todos destruídos, falta insumos, medicamentos básicos, e a prefeitura se mostra inerte nessa situação da saúde. Com relação a prestador de serviços, nós vamos rever todos. Eu, atualmente, vejo uma certa falta de credibilidade quando as pessoas tentam me vincular à saúde privada. Eu sempre trabalhei na saúde pública, há 20 anos no Pam, há 18 anos no Jardim Esperança, fui mandado embora depois de cinco meses sem salário, e trabalho há 23 anos no Hospital Santa Isabel, cheguei em 1993 para trabalhar lá. Não sou dono de nenhuma empresa. Continuo trabalhando lá, atendendo meus pacientes no SUS.

JS: Para fechar, suas considerações finais:
Adriano: Falei um pouco dos nossos planos de governo, e quero dizer pra vocês, no meu governo, o Ministério Público estará dentro da Prefeitura. Vamos combater a corrupção. vamos ter um governo transparente, participativo.

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