Governo do Estado decide nesta segunda quais servidores recebem salário integral e parcelado

O governo do Estado do Rio decide na tarde desta segunda-feira, em reunião entre secretários e o governador em exercício Francisco Dornelles quantos servidores receberão os salários integrais na próxima quinta-feira.

Por Redação JS* em 11/04/2016 09h18

O governo do Estado do Rio decide na tarde desta segunda-feira, em reunião entre secretários e o governador em exercício Francisco Dornelles, quantos servidores receberão os salários integrais na próxima quinta-feira. Na ocasião, também deve sair a decisão sobre quanto será pago de aposentadoria e pensão aos funcionários inativos e pensionistas, que devem ter os vencimentos parcelados.


— Faremos o possível para pagar integralmente o maior número de servidores no próximo dia 14 — afirmou Dornelles.


As contas espalhadas pela mesa e o semblante preocupado da professora aposentada Dione Monteiro Nogueira, de 76 anos, dizem muito sobre o atual momento da crise financeira do governo do estado, que atingiu em cheio trabalhadores ativos e inativos. Apreensiva com as recentes notícias sobre o parcelamento de salários e as repentinas mudanças nas datas de pagamento, que atrapalharam seu planejamento financeiro, a professora confessa que não tem conseguido manter as contas no prazo, mas teme, principalmente, pelo aluguel do apartamento em que vive sozinha, em Niterói, há 17 anos.


— No último mês, precisei pedir dinheiro emprestado ao meu cunhado para não atrasar o aluguel. Depois de uma vida inteira dedicada à educação, hoje faço empréstimos para comprar remédios e deixar as contas e o plano de saúde em dia — lamenta.


Decepcionada, a aposentada diz que nunca achou que viveria para ver o estado numa situação caótica:


— Na minha família são quatro aposentados pelo estado que estão na mesma situação. Todos com medo do que pode acontecer.


Olhar a caixa de correspondência agora é uma aflição para dona Dione, que já sabe o destino do primeiro dinheirinho que cair em sua conta:

— Já recebi cartas de cobrança informando que colocarão meu nome no SPC. Quando a primeira parcela do salário cair, a maior parte vai para o pagamento de empréstimos consignados.


Sem dinheiro para tratamento


A aproximadamente 50km de distância de Dione, em Nova Iguaçu, o PM da reserva Adalberto Bruno, de 72 anos, representa centenas de policias inativos que passam pela mesma situação: salários parcelados e a expectativa de receber a última parcela do 13º salário, promessa do governo do estado para este mês, após dividir o pagamento em quatro parcelas.


— Minha mulher faz um caro tratamento de câncer com remédios e exames. Tememos ter que parar por causa dessa situação. Não sei quando e quanto vou receber. E só podemos pagar as contas se o estado cumprir seu dever. Tudo vence no início do mês e o salário chega no 10º dia útil. — reclama Adalberto


No meio da crise, até sangue pode faltar


Neste domingo, pela primeira vez em 70 anos, o HemoRio não realizou coleta de bolsas de sangue. Alguns doadores demonstravam preocupação com a decisão do hospital, tomada devido à paralisação de funcionários terceirizados que realizavam funções administrativas na coleta. Em crise, o Estado deixou de repassar pagamentos para fornecedores em diversas áreas.


O mecânico Marivaldo Fernandes, de 49 anos, frequenta o HemoRio há 27 anos. Na sexta-feira passada, ele levou a filha de 24 anos para a unidade, com suspeita de pneumonia. Mas não havia, segundo ele, funcionários para fazer a radiografia dos pulmões:


— Está faltando tudo. Nunca vi o hospital desse jeito. Nesses anos todos, agora está muito pior — reclamou.


Já a estudante Naíra Fernandes, de 24 anos, se deparou com portas fechadas e atendimentos suspensos ao chegar à unidade para doar sangue para sua madrasta.


— Ela pode não receber o sangue que precisa. A família fica toda muito preocupada. — lamentou a jovem.


Segundo enfermeiras do HemoRio, faltam até papel higiênico e sabonete nos banheiros. Como os terceirizados estão sem receber pagamentos há dois meses, o hospital está funcionando com um quinto dos efetivos em vários setores.


 

OS FATOS: GOVERNO EM CRISE

 

Primeiras mudanças


A apreensão dos servidores quanto ao pagamento começou em janeiro, quando o estado alterou a data de pagamento para o 7º dia útil. Até dezembro do ano passado, os servidores recebiam no segundo dia útil do mês.


Última alteração


A crise financeira fez com que, em março, o governador licenciado do estado do Rio, Luiz Fernando Pezão, determinasse que o pagamento de servidores ativos, inativos e pensionistas seja feito até o 10º dia útil do mês subsequente.


Crise se agrava


Na última sexta-feira, o governo anunciou que não tem dinheiro em caixa para pagar integralmente os 248 mil servidores aposentados e pensionistas.


Prioridade


O governo quer pagar os vencimentos totais dos servidores das áreas de Educação, Saúde e Segurança Pública.

 


*Matéria Extra.

Foto: Urbano Holanda / Extra

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