Macaé quer trocar título de ‘Capital do Petróleo’ pelo empreendedorismo

Às vésperas de completar 202 anos, município oferece R$ 1 mi em crédito. Cidade, no RJ, tem 9.098 empreendedores individuais.

Por em 11/08/2015 11h04

Na entrada, a placa “Bem-vindo à Capital Nacional do Petróleo” dá a entender aos visitantes e novos moradores de Macaé, no interior do Estado do Rio, que a cidade vive da exploração do combustível. Mas há dois dias de completar 202 anos de fundação, nesta quarta-feira (29), o município mostra que pode ser lembrado por outras características. A cidade atingiu, no primeiro semestre deste ano, segundo a Prefeitura, a marca de R$ 1 milhão em microcréditos concedidos em parceria com o Governo do Estado, por meio da Age-Rio. Carinhosamente conhecida pelo apelido de “Princesinha do Atlântico”, Macaé vai aos poucos fortalecendo a economia com base no empreendedorismo. De 2013 até junho deste ano foram contabilizados 9.098 empreendedores individuais.

Jovens, e outros nem tanto assim, estão “dando de ombros” ao segmento offshore, de operações ligadas ao petróleo, e fazendo suas próprias oportunidades.

Monique Benedetto garante que nunca pensou em seguir no ramo que atrai para a cidade milhares de pessoas todos os anos. Ela e o marido mudaram para Macaé após ele passar em um concurso da Petrobras. Enquanto o marido trabalha no escritório e cumpre carga horária fixa de segunda a sexta-feira, Monique faz picolé artesanal e mantém um negócio próprio.

“Estudei administração para trabalhar na empresa do meu pai. Mas quando viemos para Macaé, quis ter algo meu. Petróleo e ramo offshore nunca me seduziram”, lembrou.

A empresária carrega um carrinho de picolés para onde vai. Além de vender em eventos, como inaugurações de lojas e festas temáticas, por exemplo, ela recebe encomendas e entrega em casa, abastecendo festas.

“A inspiração veio na lua de mel que fizemos na Itália. Cheguei em Macaé e vi que tinha um cenário muito bom por conta do calor. Pesquisei e fiz alguns cursos em São Paulo. Durante o curso tive ideias e fui montanto as receitas, todas são minhas. Não uso conservantes”, comentou Monique.

Marcos Salvaya não vende picolés. Há 30 anos na cidade ele é um dos poucos no mundo que fabrica componentes para aeronaves. São peças usadas na fabricação de simuladores de avião. No atual projeto, ele fabrica um cockpit (suporte de volante) fechado, igual ao original de um Embraer, avião comercial de fabricação brasileira.

“Comecei há oito anos com placas eletrônicas, peças pequenas. De quatro anos para cá fiz as peças maiores e passei a atender os clientes por encomendas. Tenho mais de mil clientes. Estou construindo um cockpit fechado de um Embraer. Após esse projeto vou fazer cockpit de helicóptero”, revelou Marcos.

“Atualmente, temos aproximadamente 500 parceiros empreendedores. O município registra cerca de 240 mil habitantes, enquanto o Rio de Janeiro, que possui em torno de 6 milhões de habitantes, tem mil parceiros. Isso ressalta a vocação de Macaé para o empreendedorismo e para o trabalho”, pontuou o secretário de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico, Vandré Guimarães.

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