Mosquito geneticamente modificado é usado no combate da zika

Estes não picam as pessoas e consequentemente não apresentam a possibilidade de transmissão de nenhum vírus para a população humana.

Por Ascom UVA em 18/02/2016 15h25

A Secretaria de Saúde divulgou esta semana que em Cabo Frio há cerca de 243 casos suspeitos de dengue, zika e chikungunya, que foram notificados somente no mês de janeiro. Por isso, é grande a preocupação das autoridades e da população. O professor de biologia Cleber Barreto Espindola da Universidade Veiga de Almeida, aposta nos mosquitos geneticamente modificados, os chamados Aedes aegypti do bem, como uma nova forma de combate às doenças. Espindola, formado em Biologia, mestre em Ecologia de Insetos e é doutor em Zoologia, diz que o método tem se mostrado eficaz nas cidades que já aderiram.


No Brasil, a tecnologia para a produção dos mosquitos geneticamente modificados é feita pela empresa britânica Oxitec, e já foi testada na cidade do Paraná, em dois bairros de Juazeiro, na Bahia e também em Piracicaba, no interior de São Paulo. “Em todos estes locais, o controle do mosquito foi de mais de 90% segundo levantamento realizado pela Oxitec. No caso do Aedes aegypti, foram introduzidos dois genes para modificar o seu código genético. O primeiro é um gene letal dominante, que tem a capacidade de matar todos os mosquitos que possuírem este gene. O segundo, é um gene marcador, que serve para podermos identificar e diferenciar os mosquitos que foram produzidos em laboratório e seus descendentes.  Desta forma, podemos monitorar esta população no campo”, explica o biólogo.


O professor garante que os mosquitos geneticamente modificados soltos no meio ambiente não causam nenhum risco à saúde. “Os mosquitos machos, que são soltos no ambiente, morrem em dois a três dias. Estes não picam as pessoas e consequentemente não apresentam a possibilidade de transmissão de nenhum vírus para a população humana. Outro atrativo é o custo benefício, o gasto médio para introduzir essa técnica em uma cidade é de R$30 por habitante, em um município com 50 mil moradores seria algo em torno de R$1,5 milhão em um ano, o que segundo o professor, compensa devido a diminuição progressiva dos mosquitos transmissores dos vírus. “Cabo Frio poderia ter os casos de transmissão do zika vírus diminuídos drasticamente com a utilização desta técnica, já que ela também alcança locais de difícil acesso, tais como, residências de veraneio que ficam fechadas e que através de outras metodologias não são atingidas”, aponta Cleber Espidola. No Rio de Janeiro os testes com mosquitos do Aedes aegypti modificados devem começar em breve em um bairro com 200 mil habitantes. A UVA fará parceria com a prefeitura carioca para monitorar a eficácia do método utilizado.

Colunistas

Suely Pedrosa - Social Tudo sobre a Região dos Lagos
Ricardo Sanchez - Esportes O espírito da 10 de Zico
Ademilton Ferreira - Política Os bastidores da política
Vilma Matos - Editorial Outubro Rosa