“A população precisa parar de escutar esse discurso de enganação que é feito há 20 anos na cidade”

Cláudio Leitão do PSOL fala sobre oposição e seus planos de governo para a cidade de Cabo Frio

Por Redação JS em 19/09/2016 12h52
O Portal JS e a Rádio Litoral FM entrevistaram na manhã desta segunda-feira, dia 19, o candidato a Prefeitura de Cabo Frio, Cláudio Leitão do PSOL. Confiram a entrevista completa:

Portal JS: O senhor acha que a população cabofriense está preparada para entender a proposta do seu partido?
CL – Há um sentimento de cansaço na população com os velhos políticos. Existe um sentimento de mudança, a gente percebe isso. A realidade do país, do estado e daqui do município está provando, de uma forma muito clara, que essa história do político profissional, que já está muito tempo no poder, não está dando as respostas que a população percebe. O que a população precisa definir, ai eu sinto certa dificuldade com isso, é qual é o tipo de mudança que ela quer fazer e qual é a profundidade. Embora esse seja o desejo da população, há dificuldade de exercitar essa mudança, muito pela força do poder econômico dessas candidaturas tradicionais, muitas delas corruptas,  políticos multiprocessados, então já está na hora da população ter ousadia, coragem e romper com essa política. A gente se depara com o caos na cidade em todas as áreas públicas e a população tem uma escolha para fazer: votar na continuidade desse modelo que está ai, que hora são aliados e hora adversários; do outro lado mantendo a coerência, rompendo com esses esquemas. Se não, a gente não muda a cidade.

Portal JS: O senhor não acha mais interessante vir pelo Legislativo? O senhor seria uma voz combativa na Câmara. 
CL – É uma observação pertinente, várias pessoas falam isso. Por isso, que às vezes é difícil as pessoas entenderem a lógica de um partido como o nosso, militante. Não é que a gente não pense, mas talvez o PSOL seja o único partido que não tenha que atender os caciques do estado. Nós entendemos que político não é carreira. O trabalho e ação do vereador são diferentes do prefeito, então não quer dizer que o bom vereador, vai ser um bom prefeito. Eu sou economista, conheço as contas públicas, sei tecnicamente como equacionar esse problema do município. 

Portal JS: Ganhando a eleição, qual o seu primeiro ato na Saúde?
CL – Uma coisa que só eu falo desde 2008, a gente não pode mais ter um gestor da Saúde Pública vinculada a Saúde Privada. Isso é um equívoco. Isso impede a Saúde Pública de avançar. A gente acaba não construindo estruturas, porque é feito uma série de contratos que enriquece o empresário da Saúde Privada. Todas as candidaturas tem apoio dos empresários da Saúde Privada da cidade, enquanto a Saúde Pública for ruim, os caras vão ganhar dinheiro na Saúde Privada. Quando a Saúde Pública for boa e satisfatória, eles vão perder dinheiro. Único cara que se propõe a fazer Saúde Pública sou eu, que quero colocar lá um técnico. Um exemplo, Cabo Frio não tem um Centro de Imagem próprio e precisa ter um com ressonância, tomografia completa, ultrassonografia. Esses aparelhos podem ser adquiridos através de financiamento em longo prazo. Os aparelhos que a prefeitura usa são de terceiros. Outro marco é direcionar a Saúde Preventiva. Temos que tratar em primeiro lugar a saúde das pessoas e não a doença. Assim a gente vai reduzir a curto e médio prazo as emergências da cidade. Aqui se tem o Hospital da Criança que não tem atendimento de emergência e nem UTI Pediátrica. O Hospital da Mulher não tem UTI Neonatal. A partir do momento que conseguirmos avançar nessas questões, podemos ampliar uma série de projetos que estão em falta. Então, tem uma série de coisas que precisam ser mudadas, a cidade está sendo administrada, pela maioria de ortopedistas, que estão engessando a Saúde da cidade. Gente que destruiu a Saúde de Cabo Frio junto com Alair e que agora vem com conversa fiada e mentirosa que vai reconstruir. Não vai reconstruir coisa nenhuma. Vão continuar enriquecendo as pessoas.

Portal JS: Educação?
CL – Primeiro ato é fazer uma auditoria na prefeitura, cortar os contratos superfaturados, licitações fraudulentas, reduzir o tamanho da máquina no andar de cima. Jamais fazer demissões na base. Precisamos fazer isso para colocar em dia o salário do servidor, para a partir daí reformar as escolas, promover a volta de merenda de qualidade, motivar o servidor. Depois que organizar essa fase inicial, a gente tem que persistir na Educação em Tempo Integral. Permitir que as mães coloquem as crianças nas creches. A população precisa ver isso de forma muito clara e parar de escutar esse discurso enganação é feito há 20 anos na cidade.

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