Rafael Peçanha fala sobre SEPE, pedido de cassação do prefeito e atual cenário de Cabo Frio

Rafael falou que espera que os vereadores cumpram aquilo para o qual eles foram eleitos, fiscalizar o poder executivo.

Por Jamyne Sant' Anna - Rádio Litoral FM em 16/02/2016 17h09

O programa “Bom Dia Litoral” recebeu na manhã desta terça-feira (16), o professor, historiador, especialista em Sociologia Urbana (UERJ), Mestre e Doutorando em Antropologia (UFF), Rafael Peçanha.


Logo no começo da entrevista, o professor, que é filiado ao PDT há 11 anos, afirmou ser um prazer ser entrevistado na Rádio Litoral, pois está sempre acompanhando a programação.


Após falar sobre a sua especialização acadêmica em Sociologia Urbana, que é o estudo das relações sociais, especificamente dentro da cidade, Rafael falou sobre o atual cenário do município de Cabo Frio.


“Cabo Frio ao longo de seguidos governos criou uma estrutura, na qual, o principal empregador é a prefeitura, e não só o principal, mas o empregador majoritário, onde você tem uma quantidade muito grande de pessoas que dependem da prefeitura direta ou indiretamente. Não é que o governo não possa ser fomentador de emprego, de estrutura financeira, mas é preciso fazer a cidade caminhar com as próprias pernas. É preciso atrair a iniciativa privada, é preciso gerar emprego e isso nunca aconteceu em Cabo Frio. E nós, que estamos aqui, fazemos parte de uma geração que está disposta a trabalhar para consertar isso”, disse.


Em seguida, Peçanha falou sobre a repercussão da entrevista do Dr. Augusto Ariston na última sexta-feira (12), na Rádio Litoral. “Eu queria aproveitar o espaço aqui rapidamente para parabenizar a entrevista do Dr. Augusto Ariston na última sexta-feira (12), que me deixou bastante impressionado pelo nível de informações que foram passadas, pelo estilo que ele usou para apresentar os seus argumentos, que é algo que a gente tem trabalhado e buscado tentar fazer de maneira ponderada, apresentando provas sem devaneios, e de uma maneira objetiva e séria”.


Rafael Peçanha, que é pré-candidato ao cargo de vereador e filiado ao Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro), falou também sobre situação enfrentada pela categoria em Cabo Frio. De acordo com Rafael, “a nossa preocupação hoje é exclusivamente o sucesso do movimento, que não só SEPE, mas muitas pessoas que não filiadas, mas são de bem, e ao verem a situação da cidade, se aliaram a nós nessa batalha que não é contra uma pessoa, ou contra duas, ou contra três, mas contra um sistema que atrasa o salário do trabalhador, deixa de pagar a ele os seus direitos, deixa de oferecer a ele os direitos que lhe são garantidos. Falando sobre o protesto de ontem, feito contra o SEPE, vemos que a sociedade está ao nosso lado. A questão salarial aparece como a ponta do iceberg, mas são vários problemas”.


De acordo com o professor, apesar da grande divulgação de que as aulas na rede pública municipal deveriam ter começado na segunda-feira (15), o calendário oficial da prefeitura divulga a data de início das aulas para março, pois essa é uma estratégia do governo para não realizar o pagamento dos concursados em fevereiro. Ao ouvir a fala do professor, o locutor Ademilton Ferreira pediu desculpas aos ouvintes, pois em nenhum momento essa informação haveria sido divulgada e nada havia sido passado para ele. Completando a fala, Peçanha destacou que no próximo dia 23, haverá uma audiência marcada pela justiça, entre o sindicato, o governo e poder judiciário: “Nós vamos conseguir no dia 23, porque fomos à justiça, junto ao poder público. É algo que estávamos tentando a um ano, que é sentar para negociar com o governo e isso já vai ser uma vitória”, afirma.


Sobre o pedido de cassação do Prefeito do Município, Alair Côrrea, realizado pelo próprio professor, ele afirmou ter bastante tranquilidade em falar sobre o assunto. “A gente tem a Lei Orgânica do Município, que baseia e nos dá fundamento para esse pedido, que é uma lei de 1990, no auge da democratização do Brasil, e a gente tem também o decreto lei federal, que embora seja de 1967, ele ainda está em vigor e regulamenta esse tipo de procedimento, no qual o cidadão comum, evidenciando práticas ilícitas, pode ingressar no poder legislativo solicitando processo de cassação, que foi o que a gente viu, evidenciado nas publicações que o governo fez do orçamento de uma maneira completamente irregular”.


Encerrando a entrevista, Rafael falou que espera que os vereadores cumpram aquilo para o qual eles foram eleitos, que cumpram o seu dever constitucional fiscalizem o poder executivo e cumpram a lei.

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