Taxistas de Cabo Frio denunciam ameaças de motoristas clandestinos

Trabalhadores da categoria relatam competição com irregulares. Número de clandestinos dobra o de legalizados, segundo sindicato.

Por Redação JS em 04/05/2016 07h58

Taxistas de Cabo Frio, estão denunciando supostas ameaças feitas por motoristas e donos de táxis clandestinos na cidade. Segundo o sindicato da categoria, o número de pessoas que fazem o transporte de passageiros sem licença é o dobro dos legalizados.


"Passei próximo ao ponto de ônibus e tinha um cidadão entregando cartão de táxi pirata. Eu falei com ele que era muito abuso entregar cartão logo em frente a um shopping onde passam vários taxistas. Nisso saíram mais quatro elementos de dentro do carro e aí começou a discussão", contou o homem que não quis se identificar. Ele é taxista há cinco anos e, há um mês, sofreu ameaças.


"Ele falou 'não tá satisfeito? Então chama a polícia'. Teve um que falou 'por isso que de vez em quando aparece um taxista morto", relatou o homem.


O taxista Cláudio Bahia contou que também foi ameaçado enquanto trabalhava na última semana. 


"Veio o dono dos cartões e mais dois fazendo ameaças diversas, Disse que eu não sabia com quem tava me metendo e mandando que eu calasse a boca, caso contrário, ele tinha vindo do Rio e ia tomar as providências dele", contou Cláudio.


Um outro profissional da área ainda informou da existência de um dos pontos do transporte clandestino ao lado da Secretaria de Transportes.


De acordo com o sindicato dos taxistas de Cabo Frio, são 400 motoristas e auxiliares cadastrados para uma frota de 251 veículos mas o número de pessoas que fazem transporte clandestino de passageiros pode ser o dobro dos taxistas regularizados. O representante do sindicato conta que considera essa concorrência desleal e perigosa.


"Pedimos ajuda ao Ministério Público já tem um ano que a gente colocou o processo. Só faz dizer pra gente que está em andamento. A secretaria também só faz dizer pra gente que está fiscalizando e a gente já recorreu a todos os órgãos. Até à polícia a gente já recorreu" disse Jorge Ribeiro.


Com corridas de preço fixo a partir de R$10, carros do transporte clandestino não fazem emissão de recibos, ao contrário dos taxistas regularizados, que circulam com talão de recibos, onde estão todas as informações sobre a cooperativa.


"As pessoas, eu gostaria, que quando usasse nosso serviço, pedisse nosso recibo, porque nós estamos de posse do recibo pra dar pra qualquer pessoa", explicou Jorge.


Em nota, a Prefeitura de Cabo Frio disse que desconhece a existência do ponto clandestino ao lado da Secretaria de Transportes, mas que vai apurar a denúncia. A Prefeitura também informou que reforçou a fiscalização e está pintando vagas exclusivas pros táxis que ficam perto do shopping da cidade.


A Polícia Militar disse que colabora com as ações da Prefeitura, mas que esse combate não é de responsabilidade da corporação. A empresa Uber disse que não atua em Cabo Frio.


O Ministério Público confirmou que instaurou um inquérito pra investigar essa situação e que em março enviou um ofício à Prefeitura de Cabo Frio pra que o município reforce a fiscalização e faça uma campanha educativa sobre o perigo do transporte clandestino.

 







*Matéria G1.com

Colunistas

Suely Pedrosa - Social Tudo sobre a Região dos Lagos
Ricardo Sanchez - Esportes O espírito da 10 de Zico
Ademilton Ferreira - Política Os bastidores da política
Vilma Matos - Editorial Violência desenfreada