Uso da biometria deve crescer mais de 25% ao ano até 2024

O uso da tecnologia biométrica vem se consolidando mundialmente nos últimos dois anos.

Por em 11/08/2015 11h13

O uso da tecnologia biométrica vem se consolidando mundialmente nos últimos dois anos. De acordo com estudo realizado pela consultoria norte-americana Tractica, esse mercado de reconhecimento de impressões digitais, íris e voz está sendo incorporado em vários países e em diferentes segmentos – que vão desde sistemas de acesso da população pouco escolarizada a benefícios governamentais até o acesso restrito a áreas estratégicas dentro de uma empresa ou governo. A expectativa é que esse mercado salte de US$ 2 bilhões em 2015 para quase US$ 15 bilhões em 2024, com receita acumulada de US$ 67,8 bilhões em dez anos.

Ainda de acordo com o estudo, alguns usos serão especialmente beneficiados pela biometria na próxima década: finanças, dispositivos de consumo, saúde, governo, empresas, defesa, educação, aplicação da lei e organizações não-governamentais. As pessoas vão se familiarizar com autenticação biométrica nos caixas eletrônicos e, inclusive, nos dispositivos móveis. Também vão se acostumar a verificações de autenticidade em ambientes virtuais de sistemas governamentais, transações em pontos de venda, acesso a áreas restritas de distribuição de medicamentos e muito mais.

Na opinião de Kerry Reid, vice-presidente global de vendas da HID Biometrics – empresa líder em tecnologia de impressão digital de imagem multiespectral – o estudo da Tractica comprova o que já é possível perceber na prática. “Enquanto estamos avançando muito no setor financeiro da América Latina, ainda bastante suscetíveis a fraudes e com importantes programas de inclusão social e financeira, nos demais continentes o uso da biometria tem outras funções. É o caso do aeroporto norte-americano de Baltimore-Washington, em que nossos leitores de impressão digital controlam inclusive o acesso à pista através de unidades implantadas ao ar livre. Ou ainda a experiência asiática, em que parques temáticos associam o uso da biometria com tecnologia RFID para que as crianças não se percam enquanto brincam e possam ser rapidamente localizadas por seus pais. Somente em um dos parques, o Chime Long Guagnzhou, os sensores biométricos são acionados mais de quatro milhões de vezes ao ano.”

Reid também aponta o caso do Senegal, país africano em que os sensores de impressão digital foram implantados aos pares em 66 estações fixadas em embaixadas, consulados e postos de fronteira. Essas estações devem integrar soluções de biometria, registro biográfico e fotográfico, além de assinatura digital. São ergonômicas, fáceis de manter, e devem produzir 300 mil vistos por ano naquele país. Além da identificação biométrica, o turista também poderá contar com uma solução de pagamento online. Assim, o processo será totalmente facilitado.

Na Oceania, os sensores de impressão digital auxiliam um projeto que atende a população de Papua Nova Guiné com médicos ocidentais, enfermeiros, laboratório, farmácia, e exames de raio-X. Com a tecnologia de imagem multiespectral, a missão pode identificar corretamente todo paciente em tratamento, mesmo que seus dedos estejam desgastados ou machucados – como é comum naquela região. Numa cultura com centenas de tribos indígenas com diferentes idiomas – e onde as pessoas não costumam ter qualquer documento de identidade, já que muitos não sabem ler – a biometria é o recurso mais apropriado para garantir uma identificação rápida, simples e confiável.

O Brasil ocupa um lugar de destaque no uso da biometria na América Latina. “O sistema financeiro brasileiro é bastante amadurecido e extremamente consciente sobre a importância de salvaguardar a identidade dos clientes – ao mesmo tempo em que simplifica o acesso de milhares de pessoas às suas contas bancárias. Nossos sensores de impressão digital estão presentes em dois de cada três caixas eletrônicos distribuídos no país. Hoje, apesar de haver cerca de 90 mil caixas eletrônicos que contam com sensores biométricos, ainda há mais de 70 mil que não dispõem dessa tecnologia tão importante para agilizar procedimentos e agir como barreira contra atos fraudulentos. E esse é somente um dos segmentos analisados nesse país”, diz Reid. “Ainda há muito a crescer em termos de uso da tecnologia biométrica”.

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