Vacina contra o zika vírus é eficaz em macacos

Testes realizados nos Estados Unidos comprovou a eficácia da vacina em macacos. Os resultados dos testes em voluntários humanos devem ser confirmados ainda este ano.

Por Thais Pinheiro em 06/08/2016 17h09
Pesquisadores americanos e brasileiros anunciaram esta semana na revista "Science" que a vacina combatente ao zika vírus é eficaz em macacos rhesus. Recentemente os pesquisadores já haviam relatado a eficácia da vacina ZIKV com o vírus inativo (ZPIV) em ratos. Os resultados dessa nova pesquisa em macacos demonstrou uma proteção mais robustas, já que esses animais desenvolvem um sistema imunológico mais semelhante ao dos serem humanos. O estudo tem a colaboração do hospital Beth Israel Deaconess e da Harvard Medical School.
O estudo foi conduzido pelo WRAIR ( Instituto de Pesquisa do Exército Walter Reed), que desenvolveu o ZPIV, que induz a criação de anticorpos neutralizantes da doença após duas semanas da aplicação.  
Após receberem a vacina, os macacos mostraram proteção completa para os tipos de vírus da zika encontrados no Brasil e em Porto Rico, o mesmo encontrado nos Estados Unidos. O vírus não foi encontrado no Sangue, urina ou secreção dos primatas. 
"Os resultados tanto dos testes em ratos quanto em macacos são encorajadores e estimulam a decisão de avançar com o governo dos EUA, a indústria e os parceiros de regulamentação, para a nossa vacina candidata ZPIV a testes em humanos", disse o Coronel Sthepen Thomas, médico do exército, especializado em doenças infecciosas e em flavivírus, que incluem zika e dengue. 
Duas empresas de pesquisas saíram na frente com testes em voluntários humanos, a empresa farmacêutica americana Inovio, em parceiia com o laboratório GeneOne Life Sciences, da Coreia do Sul, começou em julho os tentes de sua vacina em voluntários humanos. O Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), parte dos Institutos Nacionais dos Estados Unidos (NIH), anunciou essa semana que também começou seus testes clínicos em humanos. "Estamos em uma situação de emergência mundial", diz o virologista Paolo Zonatto do ICB-USP. " Não faz sentido pensar em exclusividade. Todo mundo tem que trabalhar no máximo de estratégias possíveis, porque temos presa."    
Nenhum resultado de testes em humanos ainda foi confirmado.
A estratégia de prevenção com vacinas é considerada a mais importante na luta contra o zika vírus, associado a casos de microcefalia. Só no Brasil já foram confirmados desde outubro de 2015, mais de 1.700 casos de microcefalia e outras alterações no sistema neurológico, de acordo com o ministério da saúde.   
   

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