Viúva de Tchampull reclama da falta de estrutura na saúde da Região dos Lagos

Entrevista foi dada nesta quarta na Rádio Litoral

Por Jamyne Sant'Anna - Rádio Litoral FM em 23/03/2016 14h17

Fernanda Pimentel, viúva de Tchampull Costa (41), que percorreu por hospitais da região em busca de atendimento para o marido, esteve na manhã desta quarta-feira (23), no programa Bom Dia Litoral. Segundo Fernanda, a peregrinação durou sete dias, tendo começado em uma sexta-feira, dia 11 de março.


“No dia 11 eu comecei a ir em todos os hospitais. Fui em Búzios, fui em Arraial do Cabo, Jardim Esperança, em Cabo Frio (Bairro onde é moradora) e por fim, São Pedro da Aldeia.” Disse. De acordo com Fernanda, a busca pelo primeiro atendimento se deu no hospital em Búzios, pois o Hospital do Jardim estava lotado, com tempo de espera muito grande e como Tchampull já estava debilitado, ela decidiu procurar auxílio em outra cidade.


“No hospital de Búzios o atendimento demorou um pouco, mas fomos atendidos. Aí falaram que não era nada. Colocaram ele no soro um pouquinho e falaram que tinha que aguardar, mas não passaram nenhum exame de sangue pra ele. Em seguida, eu voltei para casa. No outro dia eu fui para Arraial do Cabo, onde tivemos um atendimento melhor. Fizeram exame de sangue, e foi descoberta suspeita de dengue. Eles me orientaram a ir para casa, deixá-lo de repouso e dar a medicação para ele. Eu fui para casa, mas na madrugada ele começou a passar muito mal, desmaiou e estava sem conseguir andar, e como no Jardim é mais próximo da minha casa, eu fui pra lá. Chegando lá, deixaram ele em observação e o diagnóstico dado foi o de Chikungunya, mas mandaram ele para casa. Depois que fomos para casa, ele ficou muito inchado, totalmente debilitado, usando fralda geriátrica e já não andava mais. Por conta disso, sem ter mais lugar para dar solução, fomos para a UPA de São Pedro da Aldeia. Chegando lá, ele foi atendido por um médico muito atencioso que fez os exames muito rápido e em menos de meia-hora ele já tinha me dado um diagnóstico que não era dengue. Segundo ele, meu marido estava com uma bactéria muito forte e não estava nada bem. Ele foi encaminhado para a sala amarela, lá eles levantaram várias hipóteses e foram tentando descartar, mas a verdade é que o diagnóstico ninguém está preparado para dar. Após tudo isso, uma médica levantou a hipótese de Guillain–Barré e leptospirose. Infelizmente, na semana passada, quinta-feira (17) ele veio a falecer. Hoje nós sabemos que o que ele teve foi Guillain-Barré e em qualquer pesquisa rápida na internet a gente vê que os sintomas que ele teve são os mesmos da doença.” Lamentou Fernanda.


Por telefone, entramos em contato com a Secretaria de Saúde de Cabo Frio, para falar sobre o fato de o paciente ter sido liberado. Fomos informados que: “O erro que ocasionou a morte de Tchampull foi do município de Búzios, que prestou o primeiro atendimento.”, disse a assessoria da Secretaria de Saúde.


Até o fechamento desta matéria não conseguimos contato com a Secretaria de Saúde do Estado para falar sobre o atendimento da UPA de São Pedro da Aldeia.

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