Artigo: “Brasil precisa consolidar o ciclo de desenvolvimento”

Por Bernardo Ariston

PIB, emprego, renda, redução da pobreza e exportações sustentam a avaliação de que Lula deve ser reeleito. Os desafios fiscais permanecem, e as controvérsias que cercam Flávio Bolsonaro também precisam ser consideradas pelo eleitor.

A escolha de quem deve governar o Brasil precisa considerar resultados concretos e a capacidade de transformar crescimento econômico em melhores condições de vida.

Com base nos indicadores disponíveis, considero Luiz Inácio Lula da Silva mais comprometido com o desenvolvimento nacional e mais preparado para conduzir o país. Por isso, defendo sua reeleição para dar continuidade ao trabalho em curso e consolidar avanços que ainda precisam alcançar mais brasileiros.

Os números ajudam a explicar essa posição. O Produto Interno Bruto cresceu 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025, segundo o IBGE. A média ficou próxima de 3% ao ano. No governo Bolsonaro, entre 2019 e 2022, o crescimento médio foi de aproximadamente 1,4% ao ano. A comparação indica que, até aqui, a economia brasileira avançou em ritmo mais elevado no atual governo.

A melhora também aparece no mercado de trabalho e na renda. Em 2025, a taxa anual de desocupação caiu para 5,6%, o menor nível da série iniciada em 2012. O rendimento real habitual médio chegou a R$ 3.560, também um recorde da série da PNAD Contínua. São indicadores que afetam diretamente a vida cotidiana: mais pessoas ocupadas e maior renda real ampliam a capacidade de consumo e ajudam a movimentar a economia.

Na área social, o IBGE registrou que a proporção da população na pobreza caiu de 27,3% em 2023 para 23,1% em 2024. A extrema pobreza recuou de 4,4% para 3,5%. Segundo o instituto, 8,6 milhões de pessoas saíram da pobreza nesse intervalo. O resultado não elimina a desigualdade nem a necessidade de políticas permanentes, mas mostra que emprego, renda e proteção social podem produzir efeitos mensuráveis.

O comércio exterior também apresentou resultados expressivos. As exportações brasileiras somaram cerca de US$ 348,3 bilhões em 2025, recorde da série, e o país registrou superávit de aproximadamente US$ 68,1 bilhões. O desempenho reflete a força do agronegócio, da mineração, do petróleo e de outros setores exportadores. Para transformar esse potencial em desenvolvimento duradouro, o Brasil precisa ampliar a produtividade, a tecnologia, a infraestrutura e o valor agregado da produção nacional.

Essa avaliação precisa reconhecer também os desafios. Em 2025, a dívida bruta chegou a 78,7% do PIB, enquanto o resultado primário permaneceu deficitário. Esses números exigem responsabilidade fiscal, qualidade do gasto público e crescimento capaz de sustentar as políticas públicas. A inflação, por sua vez, fechou o ano em 4,26%, abaixo dos índices registrados em 2021 e 2022.

A escolha presidencial também exige avaliar a trajetória e as explicações dadas pelos demais candidatos. Flávio Bolsonaro mantém uma controvérsia política relevante em torno de suas relações com Adriano da Nóbrega, ex-policial apontado pelas autoridades como ligado a uma milícia: Flávio apresentou homenagens a Adriano e empregou em seu gabinete na Alerj a mãe e a então esposa do ex-PM. O caso da chamada “rachadinha” é outra controvérsia escandalosa. Contudo, a cereja do bolo, que demonstra a sua total falta de escrúpulos foi sua relação com o caso do Banco Master. Recentemente, ele confirmou ter pedido patrocínio a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Reportagens relataram uma negociação de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, e pagamentos de aproximadamente R$ 61 milhões.

No conjunto dos indicadores examinados, crescimento do PIB, emprego, renda, pobreza e exportações, os resultados mais recentes favorecem o governo Lula. Essa avaliação não significa ignorar os problemas econômicos nem tratar os avanços como suficientes. Significa reconhecer os resultados registrados e cobrar que eles se convertam em melhores serviços, oportunidades e segurança para a população.
É por esses motivos que defendo a reeleição de Lula. A continuidade pode permitir que políticas em andamento amadureçam, que investimentos se convertam em obras e serviços e que o crescimento alcance mais brasileiros. Reeleger Lula garante a escalada do desenvolvimento e do crescimento do Brasil, significa, na minha avaliação, dar ao país a oportunidade de concluir e aprofundar um projeto que, até aqui, apresenta resultados melhores em áreas centrais para a vida do povo e para o futuro da nação.

Bernardo Ariston

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