Opinião: O aeroporto não vai nos salvar

Bernardo Ariston

Quando o presidente Luis Inácio Lula da Silva inaugurou a expansão do aeroporto de Cabo Frio, em setembro de 2007, disse que a obra era fruto do bom relacionamento entre as várias esferas de governo. O presidente lembrou, na ocasião, que as obras de ampliação, que custaram R$ 35 milhões, teve participação do governo do estado, com investimento de R$ 12,9 milhões; do Governo Federal com R$ 11,6 milhões e investimentos entre R$ 5 a R$ 6 milhões do município e da concessionaria Costa do Sol, operadora aeroportuária.


“A somatória de interesses é que permitiu que o avião presidencial pudesse pousar aqui hoje”, disse o Lula na ocasião. Eu lembro bem, porque, na época, era deputado federal e trabalhei incansavelmente, para a liberação dos recursos do governo federal e negociei com a Força Aérea Brasileira a liberação do Fundo do PROFAAR. Além disso, meu pai, Augusto Ariston, era secretário de trasporte do Estado. São nessas horas que a gente vê a importância da região ter um representante comprometido não com politicagem ou com a próxima eleição, mas com o desenvolvimento e o futuro.


Lá se vão dezesseis anos, e o bom relacionamento que garantiu a Cabo Frio o maior aeroporto do interior do Estado do Rio parece uma lembrança perdida no passado. Inaugurado em 1998, é o primeiro aeroporto público com gestão privada no Brasil, habilitado a operar grandes aeronaves cargueiras e de passageiros, com capacidade de movimentação de 570 mil passageiros por ano.


O novo leilão de privatização, previsto para este ano, peca pela falta de transparência e, ao mesmo tempo, expõe a incapacidade do trade e do próprio conselho municipal de turismo de se impor e ser ouvido. A ausência no processo de elaboração do edital do leilão pode custar caro no futuro, preço que a cidade já está pagando pela mesma ausência em diversas outras tomadas de descisão em relação a política de turismo da cidade nas última décadas.


O trade em resumo, teme que o Edital privilegie as atividades offshore em detrimento dos voos comerciais, o que pode ser uma ameaça ao futuro do turismo na região. A prefeitura, na tentativa de conter críticas e fugir do diálogo, se antecipa e anuncia que o Edital – que ainda não está pronto nem foi divulgado – estipula preço de outorga de R$ 11 milhõe e obrigatoriedade de investimentos de R$ 150 milhões – sendo R$ 58 milhões nos cinco primeiros anos.


Esse debate raso nos trouxe até aquii. A cidade não tem política de turismo, alias, não tem nem secretário. A secretaria de turismo que deveria ser a principal secretaria do muicípio, virou moeda de toca política com a Câmara. O resultado do descaso foi visto, recentemente, em rede nacional: Cabo Frio virou notícia como destino barato, com direito a imagenes de quentinhas sendo vendidas na areia da Praia do Forte, o principal cartão-posta da cidade.


È lamentável que prefeitos confundam política de turismo com programação de shows – muitos de gosto duvidoso – na alta temporada. Quatro secretários em dois anos e, infelizmente, o que vimos é um deserto de ideias e projetos, capazes de atrair investimentos da dimensão do potencial turístico da cidade e gerar emprego e renda. É perciso dexizr de lado os interesses pessoais que impossibilita o diálogo. A cidade precisa estabelecer uma zona de interesse turítico com regras e ordenamento específicos. É preciso acabar com a baderna generalizada na Praia do Forte, e encarar o turismo como mola mestra do desenvolvimento socio econômico ou o aeroporto só vai servir para fugir da cidade.

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