Artigo: Lula, sua retórica sobre a Guerra e sua visão sobre o mundo

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A declaração recente do Presidente Lula sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia causou um mal estar entre o governo brasileiro e o governo dos Estados Unidos. O governo americano criticou Lula por “repetir” ou “ecoar” a propaganda russa e chinesa sem olhar para os fatos. Os comentários foram feitos durante uma coletiva de imprensa em Pequim, onde Lula se encontrou com o presidente chinês Xi Jinping.

A Casa Branca chamou os comentários de Lula de “profundamente problemáticos” e enfatizou que os EUA não têm objeções a qualquer país que queira acabar com a guerra. A tensão entre o Brasil e os EUA aumentou com a chegada de Sergey Lavrov, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, em Brasília. Lavrov e Lula discutiram “perspectivas de cooperação em áreas de interesse comum”, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

O New York Times relatou recentes contatos entre Brasil e Rússia, citando uma dependência comercial do Brasil em relação à Rússia para um quarto de seus fertilizantes. O jornal também citou o padrão da Rússia de “cortejar países que são potenciais aliados na luta contra a Ucrânia ou, pelo menos, nações que não enviarão armas e outros tipos de ajuda para o país devastado pela guerra”.

Apesar dessa tensão, Lula expressou satisfação com sua recente viagem à China, enfatizando que o Brasil precisa defender seus interesses e tornar possíveis acordos com todos os países. Lula citou a tecnologia e a transição energética como aspectos importantes da relação Brasil-China e destacou a necessidade de maior colaboração em educação e cultura.

Em geral, é claro que o Brasil está buscando fortalecer suas relações com China e Rússia, mas isso não é em detrimento de sua relação com os Estados Unidos. O Brasil continua comprometido em buscar seus interesses nacionais e colaborar com todas as nações para alcançá-los.

Com base nos fatos apresentados, é inegável que a afirmação de Lula acerca do conflito entre Ucrânia e Rússia gerou tensões diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos. A retórica utilizada pelo presidente foi alvo de críticas por parte do governo americano, no entanto, mesmo diante desse clima de animosidade, é importante ressaltar que o Brasil não se posiciona contra nenhuma nação ao conversar com as demais e, ao contrário, tem buscado estreitar laços com diferentes países do mundo, de modo a defender seus interesses e alavancar o desenvolvimento do país.

Dessa forma, é imprescindível compreender que o Brasil caminha em direção a uma maior cooperação internacional, sem deixar de lado seus valores e princípios. A política externa brasileira visa promover a solidariedade, a paz e a justiça, bem como garantir o desenvolvimento sustentável do país e o bem-estar de sua população. É fundamental, portanto, que o país mantenha sua postura autônoma e equilibrada, buscando sempre diálogos e acordos com as demais nações, em busca de um mundo mais próspero e pacífico para todos.

Sobre a questão da Criméia e sobre o suposto apoiamento à guerra por parte dos Estados Unidos e da Europa, na minha opinião, Lula, em seus comentários, usou, como sempre faz, certo ou errado, mas de forma popular, figuras de linguagem no desejo de mostrar que o caminho para a paz pode ser mais curto e defendeu a mediação de países neutros para ajudar a resolver o conflito entre Rússia e Ucrânia. Objetivamente, do seu jeito, Lula sugeriu que os países que fornecem armas para a Ucrânia cessem esses fornecimentos, mas com vistas à paz, contudo, sua declaração foi um prato cheio para uma narrativa que foi adaptada para desvalorizar as relações do Brasil com outras potências mundiais concorrentes aos interesses americanos e para a manutenção de sua hegemonia mundial. O Brasil e a China declararam conjuntamente que o diálogo e a negociação são a única saída viável para a guerra na Ucrânia. Lula reforçou que é necessário encontrar países dispostos a ajudar na busca pela paz e que a solução para o conflito não é simples, mas que é possível acabar com a guerra por meio da paciência, da diplomacia e da busca por apoio internacional, mas sobretudo pelo entendimento de todos de que essa guerra é negativa para o mundo e que a paz e o diálogo são os caminhos para um novo paradigma global, para repensarmos uma nova ordem mundial.

Segue o jogo.

Bernardo Ariston

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