“Saúde é o maior escândalo do governo Adriano”, afirma Rafael Peçanha

Vereador de Cabo Frio afirma que está trabalhando para defender os interesses da população

Em entrevista exclusiva, o vereador de Cabo Frio, Rafael Peçanha (PDT), fala sobre seu trabalho na Câmara Municipal, as investigações contra empresas e opina sobre a gestão do atual prefeito, Dr. Adriano. “Saúde anda de mal a pior e me arrisco a dizer que, em alguns pontos, ela é pior que outros governos: o de Marquinho e Alair”, afirma Rafael Peçanha.

JS – Como tem sido seu trabalho na Câmara Municipal de Cabo Frio?

RP – A gente tem se esforçado bastante para defender todas as demandas que aparecem e que são interessantes para a população. A gente faz a briga com os poderes constituídos em favor do povo, desde os vigias que foram contratados da Educação e demitidos, defender o Galpão de Sal, CPI da Enel, CPI do Hospital da Mulher, ou seja, nós não temos um setor definido para fazer política. Assim tem sido nosso mandato.

JS – É de conhecimento que o vereador tem feito várias denúncias ao Ministério Público em decorrência de alguns problemas na administração cabo-friense. Como o senhor vê esse governo do atual prefeito?

RP – A situação é muito complicada nas ruas. Eu, como vereador, não posso deixar de ter outro crivo, outro termômetro. Fui eleito para representar a população e o sentimento dela é que vai muito mal. O governo tem cometido muitos erros, falta uma gestão empreendedora, uma gestão mais firme, com mais pulso para a cidade crescer e a gente não tem visto isso. Então, a gente tem apresentado críticas, sempre com objetivo de fazer a cidade melhorar e não temos visto essa caminhada. Vamos continuar brigando para nossa voz ser ouvida.

JS – Existem CPIs em andamento e a população espera que a Câmara dê uma resposta. Como o senhor vê isso ai e como estão os andamentos?

RP – Nós temos três CPIs que estão andando na Casa e que foram abertas mais recentemente. A CPI da Laguna de Araruama, que aborda as aberturas de comportas da Prolagos, em que eu sou relator dessa Comissão. CPI do Hospital da Mulher, que foi um pedido de todos os vereadores. Nesse caso, a gente participou forte dessa articulação junto ao líder do governo Miguel Alencar, todos entendemos que não era uma questão de oposição ou situação, mas de urgência da cidade. Hoje a CPI é presidida pelo vereador Ricardo Martins e a gente está participando, coletando dados e ajudando nas investigações. E a CPI da Enel que foi um pedido meu, tive a aceitação de todos vereadores, que a gente investigue onde está o dinheiro. A população paga uma conta muito alta de luz, iluminação pública muito grande também, e não tem visto o serviço prestado de maneira coerente. Então, são investigações em três áreas diferentes: Meio Ambiente, Saúde, Prestação de Serviço, isso mostra que a Câmara está se posicionando em defesa da população. Por fazer parte destas três, nós vamos estar lutando para que tenhamos resultados e não acabe em pizza.

JS – Já que falamos em Saúde, o prefeito é médico, mas nas ruas é patente a frase: o povo está morrendo. E ao que parece a Saúde piorou e muito. Como o vereador vê este momento da Saúde de Cabo Frio?

RP – A Saúde é o maior escândalo do governo Adriano, pelo fato de ser um prefeito médico, pelo fato de que temos um orçamento bem robusto para a Saúde esse ano e ano passado também, pelo fato que a estruturas estão completamente destruídas. A questão da marcação de consultas que era uma promessa de campanha, hoje vimos as filas que saíram do galpão e foram para os postos médicos. Vimos o atendimento absurdo no Hospital da Mulher, discurso de crise, de impossibilidade de atendimento, em um governo que tem R$855 milhões de orçamento e que deveria, por isso, e com o aumento na arrecadação dos royalties, era para ter um governo avançado. E a Saúde, que era para ser o principal de gestão, hoje é a pior coisa que nós temos. Então, é algo intolerável o que acontece na Saúde. Fora algumas questões como a compra emergencial de material hospitalar, que a gente já ajuizou no Ministério Público e fora muitas outras coisas. Então, a Saúde anda de mal a pior e me arrisco a dizer que, em alguns pontos, ela é pior que outros governos: o de Marquinho e Alair. Estes que já eram governos ruins para a Saúde. Hoje é a grande questão a ser consertada. Existem outras questões, mas a Saúde, sem dúvida, é a que faz a população mais sofrer, é um dos maiores orçamentos, no entanto, o que menos funciona.

JS – E a Câmara. Falam que não sabem hoje quem é governo ou oposição, como fica isso ai?

RP – Oficialmente temos instituído o bloco de oposição e de apoio ao governo. Eu sou líder da oposição. Mas em alguns momentos a situação é tão absurda que acontece na cidade, que alguns vereadores deixam de lado essa questão para se mobilizar a favor da população. Existe uma preocupação maior que isso. O governo é tão ruim, tão falho, tão desarticulado, que não consegue essa articulação interna na Câmara e permitir que os vereadores se tornem favorável a ele. Não estou falando de articulação política e sim de um governo que não consegue nem convencer seus membros de que é um governo que mereça ser defendido.

JS – O senhor acha que o campo pra prefeito hoje na Câmara está perigoso, ele poderia ter problema com os 17 vereadores?

RP – Sem dúvida. Eu defendendo, independentemente de qualquer prefeito, que havendo irregularidade, se avance investigações e punições dentro da legalidade. O quadro atual deixa ele bem frágil.

JS – Sabendo que o vice está bem próximo de um grande número de vereadores, se caso houver qualquer coisa, pode encaminhar para um afastamento do prefeito?

RP – Não existe internamente nenhuma conversa sobre isso. O vice é um jovem promissor, faço votos que ele possa decolar na carreira política dele, uma das coisas é descolar do prefeito ou não vai chegar a lugar nenhum. Não existe, por hora, mas todos estão de olho. Eu, particularmente, não terei nem dó e nem piedade, se pintar na frente uma possibilidade de ajuizamento ou de enfretamento nessa área, vamos defender a verdade. Isso que a população espera de nós.

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