Em vídeo, Glaidson levantou suspeitas sobre sócio de investidor alvo de atentado em Cabo Frio

Indiciado pela Polícia Civil como mandante do atentado contra Nilson Alves da Silva, de 44 anos, Glaidson Acacio dos Santos, o “faraó dos bitcoins”, chegou a divulgar um vídeo, meses após o crime, em que comentava o caso.

Na gravação, o ex-garçom levantava suspeitas sobre um sócio da vítima, que também trabalhava com investimentos em criptomoedas na cidade de Cabo Frio.

O material foi publicado logo depois da veiculação de uma reportagem no “Fantástico”, da Rede Globo, sobre a profusão de empresas no município prometendo lucros exorbitantes mediante supostas transações com criptoativos.

O programa, exibido em agosto, citava Glaidson diversas vezes e mencionava a tentativa de homicídio sofrida por Nilson em março, frisando que os dois eram vizinhos.

No vídeo de cerca de meia hora, em que tentava rebater as diversas acusações feitas contra ele, Glaidson dedicou aproximadamente três minutos, já no fim da gravação, ao ataque contra o concorrente no ramo.

Ele iniciava o trecho pontuando que a empresa de Nilson teria deixado de pagar os rendimentos aos investidores cerca de dois meses antes do atentado.

O ex-garçom afirmou, então, que o citado sócio havia ficado responsável por devolver o dinheiro aos clientes, mas o parceiro de negócios da vítima “já não estava honrando contratualmente” com o combinado. “A polícia está investigando o real motivo de alguém ter atentando contra a vida (de Nilson), se o motivo foi atraso de pagamento”, garantiu Glaidson na ocasião.

Na sequência, o ex-garçom confirmou que o empresário foi morar no mesmo condomínio que ele e a esposa, a venezuelana Mirelis Yoseline Diaz Zerpa.

Segundo Glaidson, os dois conversavam com frequência sobre o mercado de criptoativos e, durante esses contatos, Nilson “falava muito do sócio”. O “faraó dos bitcoins” contou ainda que questionou o colega se ele “entendia mesmo” acerca de criptomoedas. “Não entendo igual você, Glaidson”, teria respondido Nilson.

Por fim, Glaidson negou possuir algum vínculo profissional direto com Nilsinho, como a vítima era conhecida na cidade, sendo ele apenas um dos clientes da GAS Consultoria, empresa do ex-garçom. “Meu relacionamento com ele era excelente. Não há nenhuma rivalidade. Nada disso”, assegurou o acusado pelo crime ao arrematar o próprio relato.

Para a 126ª DP (Cabo Frio), responsável pelas investigações sobre a tentativa de homicídio contra Nilson, o ex-garçom encomendou a morte do concorrente depois que a vítima “espalhou a notícia” de que ele seria preso pela Polícia Federal (PF), aconselhando clientes a retirarem valores aportados junto à GAS Consultoria. De acordo com a Polícia Civil, Glaidson — que encontra-se atrás das grades e é réu, ao lado de outros 16 comparsas, por crimes contra o sistema financeiro nacional, entre outros delitos — determinou que Thiago de Paula Reis, “pessoa de sua extrema confiança”, contratasse os executores do crime. A proximidade entre os dois é reforçada por uma visita feita por Thiago ao patrão na cadeia, poucos dias após a prisão.

Nilson acabou sobrevivendo ao ataque ocorrido no dia 20 de março de 2021, por volta das 11h30 da manhã. Ele passava de carro pela Rua Maestro Braz Guimarães, no bairro Braga, quando, ao parar em um sinal, a BMW X6 que ele ocupava, e que pode custar mais de R$ 600 mil, foi atingida por vários disparos vindos de um carro que emparelhou, ocupado por homens encapuzados. Baleada no pescoço, a vítima foi socorrida para o Hospital Central de Emergência (HCE) e, depois, transferida para uma unidade particular, onde chegou a passar vários dias em estado grave na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Em decorrência dos ferimentos, Nilsinho ficou paraplégico.

 

 

 

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